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Quebrável e requebrável

10.05.07

por Braulio Lorentz

Hilary Duff – Dignity

(Universal, 2007)

Top 3: “Stranger”, “Never Stop” e “Between You and Me”.

Princípio Ativo:
aquele papo de renascimento

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Quando Avril Lavigne canta, muitos detratores ouvem "blablablá". Quando Hilary Duff canta, o negócio é diferente. Ouve-se "mimimi". Emendados em uma lista, e com um número romano na frente, alguns trechos de letras do terceiro disco de Hilary Duff seriam como mandamentos do jovem gracinha.

Em "No Work, All Play", Hilary repete dezenas de vezes o provérbio-refrão: "Você tem que conhecer a si mesmo / Para ser você mesmo". Os conselhos de boa moça encontram público certo. A ex-loirinha ainda soa como uma gota de Britney Spears numa garrafa de refrigerante sabor tutti-frutti.

A inocência forçada de Brit cabe direitinho nas músicas de Hil. Em "Burned", ela se diz sozinha na multidão, protegida por uma espécie de escudo imaginário. Os desabafos musicados sobre fama de Spears da mesma forma convencem mais quando cantados por Hilary na faixa-título.

A fragilidade é a melhor amiga da cantora texana de voz e porte físico quebradiços. Ela fala de corações partidos e solitários dando a entender que, ao fim de cada show, vai sair correndo do palco para chorar no camarim porque o roadie pisou em seu pé.

Mas a frescura também nos dá uma folga quando em vez de ler as letras, passamos a ouvir as músicas. É aí que a mudança de visual começa a fazer sentido. Arranjos eletrônicos espertos enfeitam as 14 canções. A principal criadora das dançantes batidas não é Hilary – por mais que, em todas as entrevistas, ela repita: "nunca tinha participado do processo criativo, mas agora participei de todas as composições".

A mente por trás dos novos barulhinhos – com potencial para conquistar gamemaníacos – é Kara DioGuardi, produtora que sabe como poucos o que fazer para que mesadas juvenis sejam torradas. Ashlee Simpson, Christina Aguilera, Pussycat Dolls, Gwen Stefani e Kelly Clarkson integram a lista das que já contrataram seus serviços.

"Eu não trabalho com outros artistas em minhas canções. Trabalho apenas com bons produtores", alfineta Duff. A declaração anti-featuring faz parte da tentativa de Hilary de provar que não foi apenas sua tintura que mudou. Dignity é uma boa trilha para que a fã de Eminem, Rihanna e Killers ameace colocar as manguinhas de fora.

Claro que tudo tem que ser um pouco contido. Hil tem 19 anos, nem tomar um porre ela pode. Mas o desbocamento está liberado, mesmo que seja cantando palavras de autoria de outros ("Outside Of You"). "Eu não posso ter sua atenção / E não agüento isso / Tenho algo a dizer / Cale a boca e escute" sempre foi um belo conselho. Ainda mais se o que há para ser escutado é muito (“Stranger”, “Never Stop”) ou pouco (“Dreamer”, “Between You and Me”) acima da média.

"Justin de saias é a mãe!"

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