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Quatro teorias absurdas sobre uma banda absurdamente sortuda

19.05.07

por Rodrigo Ortega

Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare

(EMI, 2007)

Top 3: “Brianstorm”, “Fluorescent Adolescent”, “505”

Princípio Ativo:
Personalidade

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Os Arctic Mokeys não existem

Era uma palestra com um daqueles pseudo-gurus de marketing. De repente, o Roberto Justus wannabe começa a discorrer sobre Arctic Monkeys. Claro que ele não conhece nenhuma música da banda. Mas os Arctic Monkeys nunca foram uma banda. Eles são uma entidade, um argumento para falar (abobrinhas) sobre o novo mercado de música.

Para não ficar com cara de paisagem na hora do assunto "Arctic Monkeys", nem é preciso ouvi-los. Na hora do aperto, basta contar um "case" usando as palavras "buzz" e "marketing viral". Ou, para um não-aspirante a Roberto Justus, falar mal do Lúcio Ribeiro.

Os Arctic Monkeys são os novos Arctic Monkeys

A frase acima, roubada da revista Rolling Stone, faz sentido por dois motivos:

1 – Favourite Worst Nightmare está sendo tão bem-sucedido quanto Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, e ameaça conquistar os EUA: já chegou ao 7º lugar da Billboard.

2 – Parece balela os Arctic Monkeys dizerem que são uma nova banda neste disco. Mas realmente a produção de James Ford, do grupo inglês Simian Mobile Disco, deu sustância ao rock “meat-and-potatoes” (outra frase roubada, essa do Pitchforkmedia) do grupo.

Alex Turner matou Pete Doherty

Os garotos que começaram tocando covers dos Libertines saíram definitivamente da sombra da ex-banda de Pete. Os arranjos estão menos despojados e mais elegantes. As dinâmicas crescentes de “505” e “Do me a favour” são uma novidade. Dos riffs lascivos de “Teddy Picker” e “Old Yellow Bricks” à sutileza de “Only one who knows” (a nova “Riot Van”), fica claro que os Arctic Monkeys estão apagando o mestre junkie de seus arquivos. Outra forma de provar esta teoria é observar qualquer foto de Doherty para constatar que trata-se, obviamente, de um cadáver.

Alex Turner é um robô

Se você reparar a diferença entre a voz do Julian Casablancas em uma entrevista e em uma música, percebe os efeitos de estúdio para que seu vocal fique “lo-fi”. Mas preste atenção no Alex Turner em alguma entrevista. Parece que ele já tem um plugin de distorção instalado na garganta.

Se Alex é um roqueiro programado eletronicamente, o processador de versos espertinhos é de ponta. Ele ativa nossa angúsitia em “D is for Dangerous” (“He’s desperately trying do stimulate what it was / that was alright three quarters of an hour ago”) e nossa compaixão em “Fluorescent Adolescent” (“You used to get it in your fishnets / Now you only get it in you night dress”). É impossível não tropeçar nos versos iniciais de “Balaclava” ou não perder o fôlego com “Brianstorm”. Pobres de nós que somos humanos.

Alex e seus amigos: robôs de 1984?

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