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Poor Fiction – Tempo de videoclipe

21.05.07

por Daniel Oliveira

A última cartada

(Smokin’ Aces, EUA/França/Reino Unido, 2007)

Dir.: Joe Carnahan
Elenco: Ryan Reynolds, Jeremy Piven, Ray Liotta, Andy Garcia, Taraji Henson, Alicia Keys, Ben Affleck, Martin Henderson

Princípio Ativo:
a anti-montagem

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O fim
“A última cartada” tem um grande defeito: quando ele começa a ficar bom e os personagens se tornam menos superficiais, o filme acaba. E com um final totalmente sem sentido.

A atitude do agente do FBI Messner (Reynolds) que encerra o longa não é boa para ele, nem para seu parceiro, nem para o FBI nem para ninguém. Fica a impressão de que o diretor e roteirista Joe Carnahan (Narc) não sabia o que fazer com o monte de personagens e reviravoltas e tentou criar um final surpreendente e que redimisse a polícia e a bandidagem. O resultado é simplesmente preguiçoso.

O começo
Para chegar até ali, Carnahan conta (o pedaço de) história de Buddy Israel (Piven), aprendiz de mafioso de Las Vegas que resolve abrir o bico para o FBI. Seu inimigo e mentor Sparazza oferece US$ 1 milhão pelo coração do delator – desencadeando uma corrida de assassinos e caçadores de recompensa pelo prêmio. Messner e Carruthers (Liotta) são os agentes que devem impedir a morte de Israel.

A quantidade absurda e confusa de assassinos atrás do tal coração é o recurso que preenche mais de uma hora e meia de filme. Ao contrário da essencialidade de cada história de “Pulp Fiction” - que Carnahan tenta emular descaradamente - sem tantos personagens tentando chegar ao mesmo ponto, “A última cartada” poderia ser um curta.

Não que seja de todo ruim: apesar de quadrinescos, os assassinos contam com algumas boas atuações segurando os diálogos rápidos e a edição videoclíptica. A dupla feminina encarnada por Taraji P. Henson (a ótima backing vocal de “Ritmo de um sonho”) e pela decente estréia na atuação de Alicia Keys; e o bigodudo Nestor Carbonell, que divide uma boa e ambígua cena com seu companheiro de “Lost”, Matthew Fox, são bons exemplos.

O meio
Só que Carnahan está menos atento ao bom elenco do que à edição insana que mal permite que se tenha mais de cinco segundos de um mesmo ator em quadro. O problema maior da montagem, contudo, é gastar mais de meia hora em um suspense barato até o clímax na cobertura de Israel – passando de instigante a irritante antes da metade disso. Tempo que poderia ser gasto depois, quando o rabo preso do FBI é revelado – e quando o arco dramático de alguns personagens, como Sharice e Gloria ou o sobreviventes Hollis (Henderson), ainda parece estar por se resolver.

Carnahan criou uma HQ com a história dos personagens que precede à “A última cartada”, lançada simultaneamente com o filme nos EUA. A impressão que fica é que ainda existe outra história com a continuação do longa – que (vai entender porquê) é um miolo mal amarrado no meio desses dois produtos.

Piven: “Cadê o roteiro que estava aqui? Sumiu.”

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