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Quando ela é boa, é ótima. Quando é má, é melhor ainda.

11.07.07

por Mariana Marques

Amy Winehouse – Back to Black

(Universal, 2007)

Top 3: “Rehab”, “You know I’m no good” e “Tears Dry on Their Own”

Princípio Ativo:
Potência sem malabarismo

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Não se deixe enganar pela voz. Amy Winehouse não é negra, não senhor. A inglesa, de 23 anos, é branca, minguada e faz o estilo “acordei e não penteei o cabelo”. Ainda que não seja exatamente bonita – e olha que estou sendo gentil, hein –, provocou uma crise de depressão na fofinha Lily Allen, que chegou até a falar em cirurgia de redução do estômago. A vida de Amy é um prato cheio para os tablóides ingleses: a cantora está sempre envolvida em confusões provocadas por excesso de álcool e costuma fazer declarações polêmicas, como a de que se cortou com um caco de vidro para escrever no corpo uma declaração de amor ao seu marido.

Fofocas à parte, o que interessa é que a inglesa tem mesmo talento. Em Frank, seu álbum de estréia, já era possível ouvir uma vigorosa mistura de soul, jazz e hip hop. Em Back to Black, temos a consolidação desse conjunto. Se andou bebendo muito ou não, a verdade é que o intervalo de três anos entre um disco e outro fez bem para Amy. Em seu segundo álbum, a inglesa está com a voz ainda mais potente. E a vantagem é que tal potência nunca é utilizada para malabarismos vocais irritantes como acontece por aí.

Back to Black é assumidamente inspirado nos grupos de garotas da década de 60, como Supremes e Shangri-Las. “Tears Dry on Their Own” homenageia “Ain't No Mountain High Enough” e provavelmente é a canção mais otimista do disco. No extremo oposto, na faixa-título, Amy parece cantar sua angústia lá do fundo do poço. Na leva de canções que podem te deixar extático, tamanha a emoção com que são interpretadas, estão também as melancolicamente bonitas “Love is a losing game” e “Wake up alone”.

Se teve relacionamentos ruins, a inglesa soube aproveitá-los para escrever ótimas letras cruéis. O axioma “quando sou boa, sou ótima; quando sou má, sou melhor ainda” serve muito bem para Amy Winehouse. Os melhores momentos de Back to Black são aqueles em que a cantora se mostra amarga e desobediente, seja ao dizer que não irá para a clínica de reabilitação de jeito nenhum (em “Rehab”), ao admitir que pensa em outro na hora h (“You know I’m no good”) ou ainda quando reprime o carinha que insiste em fumar sua erva (“Addicted”). Ao final da audição, já sabemos que ela não é boazinha e torcemos para que continue assim. Não vá para a rehab, Amy!

Amy penteia o cabelo com a mão e é mais bonita quando não sorri

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