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Ovelhas Negras da Suécia

26.09.04

por Rodrigo Ortega

The Hives - Tyrannosaurus Hives

(Universal, 2004)

Top 3: “A Little More For Little You”, “Walk idiot walk” e “Two-Timing Touch And Broken Bones“.

Princípio Ativo:
Anfetamina

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ABBA, Roxette, Ace of Base e... The Hives! Estranho pensar que da Suécia saíram tanto as três primeiras bandas quanto os amalucados Hives, que emplacaram “Hate to say I told you so” até em trilha de novela. Após quatro anos de hibernação na Escandinávia, eles voltam com o disco Tyrannosaurus Hives.

Nos tempos de escola, os Hives seriam aquele colega legalzão que, com bagunças e palhaçadas, conquista desde os CDFs até os mais descolados. Na turma do novo rock, eles chegaram da Suécia para figurarem de gaiatos no incrível estouro de bandas com artigos no início do nome: The Vines, The Strokes, The White Stripes.

Até então, dois álbuns e uma coletânea caça-níqueis eram sustentados pelo impacto dos terninhos bicolores, umas canções divertidas (“Hate to say I told you so”, “A.K.A I-D-I-O-T”, “Main Offender”) e nada mais. Passada a euforia inicial e após fracassos como o segundo álbum dos australianos do The Vines, os suecos tendiam a ser também uma carta fora do baralho.

Tyrannosaurus Hives tem toda pinta de volta dos que não foram. “Tentaram colocar um corpo morto em mim”, reclama o vocalista Howlin’ Pelle Almqvist na faixa de abertura, “Abra Cadaver”. Sem abandonar a postura Sílvio Santos, ele não abusa mais dos gritinhos em freqüência de cachorro, e se dá muito bem ao encarnar Frank Black em “Diabolic Scheme“.

Os Pixies, aliás, são referências nos momentos mais felizes desse CD, como os riffs de “No pun intended”, “See through head” e a latinidade de “Love in plaster”. Os singles “Walk idiot walk” e “Two-Timing Touch And Broken Bones” entram na lista das canções divertidas, mas não salvariam os Tyrannosaurus Hives da extinção se não fosse por pérolas como “A Little More For Little You”, um ska desajeitado com sensacional refrão à Clash, daquelas músicas que justificam a presença do botão Repeat nos aparelhos de som.

“A melhor banda ao vivo do planeta”, segundo a revista Spin, afunda o pé no acelerador em “B is for Brutus” e “Missing Link” e se dá bem nos riffs e melodias. Mostram bastante criatividade e segurança para um momento crítico da carreira, talvez porque ainda contam, para qualquer emergência, com as garantias da terra do seguro-desemprego.

Sem contar que o disco foi todo composto por Randy Fitzsimmons, amigo imaginário dos caras, que nunca foi visto por mais ninguém. Difícil não simpatizar com as palhaçadas dos colegas boa-praça do The Hives, e ao final do disco desejar com sinceridade: volta aí depois!

O quinteto Hives (de pé) e Randy Fitzsimmons (deitado)

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