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Abóboras pasteurizadas

17.07.07

por Rodrigo Ortega

Smashing Pumpkins - Zeitgeist

(Warner, 2007)

Top 3: “Doomsday Clock”, “Tarantula”, “Neverlost”.

Princípio Ativo:
UHT

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TUMTUTUPATUPATUMTUMPATUMPATUMTATA

É mais ou menos esse o som que abre Zeitgeist, sexto disco de estúdio dos Smashing Pumpkins, sete anos após o anúncio do “fim” da banda. Os barulhos de bateria que fazem o ouvinte perder o fôlego e, ao mesmo tempo, respirar aliviado, têm pelo menos duas traduções: "Prazer, eu sou o Jimmy Chamberlin e este não é um disco solo de Billy Corgan", e "o som dos Pumpkins clássicos está de volta".

Nos minutos seguintes, outros sons confirmam e desmentem as mensagens iniciais. A voz metalizada (natural e artificialmente) de Billy Corgan e os ruídos de guitarras reluzindo de sujos se acumulam em grossas camadas. Mesmo assim, é por uma casquinha a mais ou a menos que o disco patina entre o irrelevante e o imperdível.

“Zeitgeist” é uma palavra de origem alemã que significa “o espírito de uma época”. A capa do disco tem a Estátua da Liberdade afogada em um mar vermelho. A pretensão de Corgan não é uma novidade. Apesar de ele ter mudado pouco, a dúvida é se a sua banda, sem os integrantes originais James Iha e D’arcy, ainda tem algo a dizer sobre o espírito desta época, como tinha na década passada.

Este álbum tem sido comparado a Siamese Dream (1993) e Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995). É normal acontecer isso, já que são os discos mais famosos da banda. Mas eu colocaria Zeitgeist na prateleira ao lado da coletânea de lados b e raridades Pisces Iscariot (1994). Ambos têm uma sonoridade parecida com os discos mais importantes da banda, mas passam longe de entrar nessa categoria. E passam igualmente longe de um desastre como The Future Embrace (2005), disco solo de Billy Corgan.

“Doomsday Clock”, a música do “tumtutupumpa”, realmente promete maravilhas, o que seria verdade se uma sequência como “Starz”, “United States” e “Neverlost” se mantivesse pelo disco todo. Apesar do visual “quero ser Bjork”, Billy Corgan também quer ser legal no clipe de “Tarantula”. Mas é difícil encontrar no disco mais do que estes bons singles.

A atmosfera de sonho das músicas da banda se perdeu definitivamente, e agora eles cantam coisas literais como “For God and Country” ou “(Come on) Let’s Go!” (quem imaginou ouvir os Smashing Pumkins cantando uma música com este nome, a não ser em um tributo aos Ramones?). O disco é o mais pesado da carreira do grupo, mas o barulho é tão pasteurizado que acaba sendo menos hardcore do que as velhas baladas acústicas, tipo “To Forgive”.

Se as atuais baladas enjoativas “That’s the way (my love is)” e “Bring the Light” servem para alguma coisa, é muito mais para tentar convencer minha prima fã de Pitty de que Smashing Pumpkins é legal do que para escutar junto com alguém que já achava isso há dez anos.

Tio Chico na gravação do clipe de "Tarantula"

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