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De pé no estômago dos gigantes

20.08.07

por Rodrigo Campanella

Os Simpsons – O Filme

(The Simpsons Movie, Estados Unidos, 2007)

Dir.: David Silverman
Elenco: Dan Castellaneta, Nancy Cartwright, Julie Kavner, Yeardley Smith, Harry Shearer

Princípio Ativo:
maioridade

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A primeira coisa é um episódio lunático de “Comichão e Cocadinha”. Só quando você já está rindo é que aparece Homer Simpson, xingando “eu não acredito que a gente pagou por algo que passa de graça na tv”. É a piada obrigatória, da qual a série que infernizou todo senso comum nos últimos dezoito anos não podia escapar. Com o elefante branco sentado no meio da poltrona, o filme pode começar.

E é realmente um filme, algo mais complexo, pretensioso e docemente insano do que um episódio estendido ou três capítulos em seqüência colados numa película (eles também sacaneiam com essa possibilidade). Agora é claro que “Os Simpsons” nunca precisaram ser um filme – eles sempre fizeram a televisão, bem usada, se tornar enorme. Mas esse filme é a possibilidade de idéias graficamente grandes, centenas de personagens numa mesma tela, cores de 2D caprichadas como nunca e fôlego extra para a história. É uma maravilha ver ele pronto – mas, com dezoito anos na tela, já não é exatamente uma epifania.

Se a chamada “cultura pop” nos últimos vinte anos ganhou um toque de humor crítico, cáustico, às vezes terno, Os Simpsons tem parte do mérito. O truque, sem mágica, é manter um fundo mais ou menos atual e uma frente eterna. No filme, o tema de fundo é o aquecimento global, a preocupação ecológica que envasa Springfield – provavelmente a cidade mais poluente do planeta – numa redoma de vidro. Mas se daqui a cinco anos isso não importar tanto, as situações que o filme arma em cima (a tal frente) tem as melhores chances de sobrevivência.

Quando Homer J. Simpson praticamente troca seu filho por um porco(-aranha) de estimação e depois decide ir para o Alasca diante da destruição de Springfield; ou quando ele e Bart terminam um grande momento pai e filho com o menino pelado e algemado pela polícia, o que está em jogo é a imbecilidade humana – e nós rimos porque somos íntimos dela. Mas “Os Simpsons” é o doce de leite mais amargo da praça. Junto da crítica fervendo vem o coração mole, a generosidade com o ceticismo cruel. Se o mundo é estúpido, o filme vê isso sem condescendência ou moralismo – apesar de ter sua moral.

Engraçado é notar que os Simpsons na telona dançam em cima do próprio legado. Aquelas piadas com corte rápido, o humor maluco na realidade pasmacenta, a risada e depois o coração arreganhado, a moral no final que não tranqüiliza – isso são eles. A maioria das comédias no negócio de cinema e tevê bebe, com menos ou até mais competência, na fonte da família amarela. Por isso é tão especial dar gargalhadas com o original, enfim acampado no prestígio da sala escura e da tela enorme.

Mais pílulas:
- Crítica de Escorregando para a Glória
- Crítica de A Volta do Todo Poderoso
- ESPECIAL SIMPSONS: Matt Groening, criador da série
- ESPECIAL SIMPSONS: Springfield, Estados Unidos

Daaaaa da da da da da da da
da-da-da-da da da-da da-da dadadada

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