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Por favor, sem remix!

23.08.07

por Dani Freitas

Vanessa da Mata - Sim

(Sonybmg, 2007)

Top 3: “Baú”, “Pirraça”, “Quando um homem tem uma mangueira no quintal”.

Princípio Ativo:
samba.reggae.mpb.latinidade.pop.misturada

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Remix tosco [mode on]

“Não me deixe só, eu tenho medo do escuro, tenho medo do inseguro...”

“Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai...”

Remix tosco [mode off]

Qualquer pessoa que estava na Terra nos últimos quatro anos escutou esses remixes nas rádios, na TV, em festas de 15 anos e formatura e viu essas letras em fotologs e orkuts por aí. Foram com eles que Vanessa da Mata conseguiu sucesso comercial e emplacou diversas músicas em novelas globais. Porém, eles transformaram ótimas músicas em algo extremamente irritante. Com isso, muitos adquiriram ódio mortal à cantora sem nunca ter prestado atenção no trabalho dela, que sem os “tuntz tuntz” adicionais é super agradável de escutar.

O mais recente álbum da cantora, Sim, que já está entre os dez mais vendidos no país, agrada tanto aqueles que a conheceram graças aos remixes, quanto aqueles que abominam o artifício. Impossível não se encantar com o CD, em que Vanessa usa cada vez melhor a sua voz. Se nos dois discos anteriores às vezes ela abusava de agudos, em Sim eles estão bem colocados e dão charme às músicas.

Não tem como se cansar do disco. Vanessa da Mata passeia por vários estilos e imprime sua identidade em cada um deles. Há faixas que transitam pelo reggae, como “Vermelho”, “Absurdo” e “Ilegais”; pelo samba, na ótima “Quando um homem tem uma mangueira no Quintal”; por ritmos latinos, em “Pirraça”, e pela MPB de discos anteriores, como em “Meu Deus”. Há também aquelas que misturam tudo isso em uma coisa só. O resultado é uma das melhores faixas do CD, “Boa Sorte/Good Luck”, que tem a participação de Ben Harper.

O disco também tem músicas que parecem ter sido feitas para ser trilha sonora de novela. “Amado”, que conta de um amor não correspondido, com certeza vai embalar a história de algum casalzinho desencontrado da telinha (e por conseqüência virar A música de 11 entre 10 pessoas com problemas amorosos). “Você vai me destruir”, que com seus sintetizadores é a mais animadinha do CD, está pronta para virar um remix bem sucedido nas pistas de dança do país, infelizmente.

O único defeito do álbum é o mesmo que existe em quase todo disco de MPB: letras pretensiosas. Em “Baú” escutamos “Vou lhe jogar no meu baú / Vivo e mágico / Com as coisas boas que têm lá / Com meus desenhos herméticos / E minhas palavras de Dalai Lama”. “Ele não é goiaba / Deixa ele lhe mostrar / Bom dia, boa tarde / No seu pomar”, de “Quando um homem...” é outro exemplo de letra que quer falar muito, mas não fala nada. Porém, mesmo com essa pretensão, Sim continua sendo um ótimo disco e uma oportunidade para você esquecer os terríveis remixes da cantora.

Outro remix-farofa vai ser um passo à frente para Vanessa

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