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Sambões e sambinhas

25.08.07

por Pablo Moreno

Roberta Sá – Que belo estranho dia pra se ter alegria

(Universal, 2007)

Top 3: “Girando na renda”, “O Pedido” e “Janeiros”.

Princípio Ativo:
fama sem "Fama"

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Roberta Sá, aquela que não venceu o “Fama”, está de volta com seu segundo CD, Que belo estranho dia pra se ter alegria. A potiguar quase carioca se deu bem ao ser derrotada no show de calouros global: fugiu da maldição que assola os vencedores do programa. “Fama” e fama, definitivamente, não combinam.

A primeira prova do “corpo fechado” de Roberta foi seu primeiro álbum. Braseiro era formidável. Recheado de boas parcerias e boas letras, o CD trazia sambinhas excelentes para todos os gostos.

A segunda prova está no novo disco. As parcerias continuam em alto nível, vide a presença de Lenine em “Fogo e Gasolina” e Pedro Luís na contagiante “Girando na renda”, canção que já era conhecida graças à interpretação de Roberta no Festival da Cultura em 2005.

Além disso, a cantora mostra sua versatilidade ao fugir do batidão tradicional do samba, abrindo seu leque de “promessa do samba” à “próxima musa da MPB”. Ao preencher duas aspas dessa forma, não dá para não ter Marisa Monte como referência (que o diga Vanessa da Mata). Lula Queiroga compôs a faixa que traz o verso título do álbum. “Belo Estranho dia de amanhã” é um calmo sambinha profetizando acontecimentos anormais no louco mundo contemporâneo. Tudo isso com uma doçura que Roberta aprimorou ainda mais com esse segundo trabalho.

Mas nem só com doçura se faz um belo álbum. “O Pedido”, faixa de abertura do CD, traz uma interpretação potente de Roberta sobre uma batida marcante e grave de tambores, bem como em “Samba de amor e ódio”.

Destacam-se também sambões ritmados na cadência do partido-alto, excelentes para aquele churrascão de domingo, como “Laranjeira” e “Interessa”. Afinal, quem nunca batucou com uma caixa de fósforos neste país que pegue fogo e morra.

Roberta Sá chega com classe ao desafio do segundo álbum e passa por ele com naturalidade, colocando o ouvinte pra requebrar as cadeiras, cantar junto e ouvir com atenção sua música.

Sua mesmo, já que estão presentes incursões autorais como na bonita “Janeiros”, composta pela moça em parceria com o colega já citado Pedro Luís. Se alguém ainda tem preconceito com o pezinho global dela, vale a pena ouvir com atenção a sua ainda curta obra. Dá para entender direitinho porque ela não venceu o Fama.

Roberta aponta os olhos para nosso termômetro e abre o sorriso

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