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Pau no celular, belas canções: coisas da rotina, sabe?

07.09.07

por Cedê Silva

Paul McCartney – Memory Almost Full

(Universal, 2007)

Top 3: “Ever Present Past”, “House of Wax”, “Nod Your Head”.

Princípio Ativo:
Gênio musical com uns 40 anos de experiência

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Filas em locais públicos. Queda da conexão com a Internet. Perder as chaves. E celular com a memória quase cheia. Alguns constrangimentos em nossa vida cotidiana são tão mesquinhos, tão comezinhos, que não passa pela nossa cabeça que esses incômodos afetem até os imortais.

Pois a frase Memory Almost Full, que apareceu no celular de ninguém menos que Paul McCartney, foi o que inspirou o nome de seu mais novo álbum. Para quem não acompanhou a longa carreira solo de McCartney – este é o 21º álbum dela – mas adora cantarolar os refrões de seus clássicos besourísticos, há faixas alto-astral e inocentes, como a dupla de abertura “Dance Tonight” e “Ever Present Past”.

Já para quem entende mais do “Paul” e agora quer uns toques de novos temperos, há pratos também: a quarta faixa, “Only Mama Knows”, abre com violinos... (essa mama se chama Eleanor? Nah, a coitada morreu sozinha, sem filhos, como Brás Cubas)... mas desbanca para um rock agitado. “You Tell Me” tem toda a melancolia saudosa das faixas mais melancólicas e saudosas de Sgt. Pepper’s e Abbey Road (aqui lembrei especialmente de “Because”, deste segundo), mas com aquele twist anos 2000.

A gramática Beatle se faz sentir especialmente no medley presente no disco: cinco das treze faixas seguem-se sem intervalos, como se costumava fazer nos anos sessenta. Há também Beatles em algumas letras (“what we are / is what we are / and what we were / is vintage clothes”). Por outro lado, “That Was Me” tem tintas jazzísticas, e ainda que tenha o mesmo clamor de “I Want You” (outra faixa de Abbey Road), é decididamente original.

O álbum contém excelentes surpresas, como “House of Wax”, um rock de muito fôlego; e “Nod Your Head”, com um tom épico ao fundo e cujo único defeito é ser curta demais.

Tendo vendido já mais de um milhão de cópias, Memory Almost Full merece vender muito mais. E nós, pobres mortais, continuamos com nossos problemas. Permanecemos com memória do celular cheia e nem podemos extravasar, colocando-a no título de um disco que quase estoure o termômetro desta freguesia.

"Deixa que diguem/ Que pensem/ Que falem"

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