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56 minutos e 30 segundos

14.10.04

por Braulio Lorentz

Green Day - American Idiot

(Warner, 2004)

Top 3: “Extraordinary Girl”, “Boulevard Of Broken Dreams” e “Wake Me Up When September Ends”.

Princípio Ativo:
Pretensão

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I – faixa-título
Quatro anos sem lançar material inédito e eis que o Green Day retorna às paradas com “American Idiot”. Billie Joe canta que “nada parece estar bem” na canção mais politizada da história da banda. Riffs grudentos e clipe lambuzado compensam a letra anti-Bush com versos como “Welcome to a new kind of tension/ All across the alienation” no início do refrão para arrepiar democratas/ ambientalistas e fazer a garotada pular...

II – compensação
“Jesus Of Suburbia” e “Homecoming” são operetas punks de quase dez minutos, cada qual com cinco bem demarcadas partes. Ou seja, a audácia é compensada pelo didatismo. Batuques indianos ecoam no começo da linda “Extraordinary Girl”, mas a piração para por aí, pois o resto da canção é Beatles até a medula. Um vocal feminino fofinho à la Cardigans enfeita o começo da mixuruca “Letterbomb”. Só o começo. A síndrome televisiva de Ventura do Los Hermanos também aparece: três músicas citam a TV. Letras mais pensantes e arranjos vocais diferentes para o padrão do trio chamam a atenção. Porém o que se ouve em essência é um punk pop divertido e pintado com tinta cor de pretensão. Isso tudo não faz com que American Idiot seja um vôo conceitual sem escalas nas paradas de sucesso. Por uma simples razão: o que vende um álbum são os singles. Do que adianta uma música esquisita com cinco pedaços, se ela provavelmente nunca será tocada nas rádios? Hits com pouco mais (ou menos) de três minutos e meio, riffs grudentos e o mesmo jeitão Dookie de sempre serão as faixas tocadas pelas bandinhas covers de punk sorvete na testa.

III – bolões
Apostar que o Brasil vai ganhar da Turquia por 2 a 1 é tão válido como dar o palpite de qual será o próximo single de um álbum. American Idiot é nível easy no quesito “acerte quais os singles”. “Boulevard Of Broken Dreams”, por exemplo, é hit certo. Afinado com o pop de Hoobanstank, Nickelback e outros nomes parecidos. “Wake Me Up When September Ends”, grande balada, é outra boa pedida. “Are you waiting” também se destaca, mas deve ficar longe das paradas.

IV – livro
Foi num livro sobre jornalismo cultural que um amigo me deu de aniversário. Li que uma resenha deve fazer com que o leitor tenha vontade de ouvir o disco. Com esta resenha, a intenção é essa.

V – progressivo
O Green Day, lá pelo meio da década de 90, deu uma mãozinha para apresentar o punk pra molecada. Agora, no meio da década 00, a banda faz o mesmo com o rock progressivo, daqueles tiozões que contavam historinhas em músicas utilizando todos os minutos e solos do mundo.

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