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Psicose a 200 km/h

26.09.07

por Daniel Oliveira

À prova de morte

(Death Proof, EUA, 2007)

Dir.: Quentin Tarantino
Elenco: Kurt Russell, Rosario Dawson, Zöe Bell, Vanessa Ferlito, Rose McGowan, Sydney Poitier, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead

Princípio Ativo:
Tarantino’s fun

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Kinda cute
“À prova de morte” tem tudo o que os fãs aprenderam a adorar e respeitar em Tarantino.

1- Uma chuva de referências pop (“60 segundos é um clássico. Mas o original, não aquela bosta com a Angelina Jolie”).

2- Trilha musical característica, com direito à jukebox pessoal do cineasta no bar da primeira metade do longa.

3- Mulheres fodonas quebrando o pau em situações improváveis.

4- E personagens destilando frases clássicas claramente saídas diretas da boca de Mr. Tarants (“Pete Townsend, em certo momento, quase largou o The Who. E se ele tivesse, acabaria nesse grupo, que se chamaria Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick, Tich and Pete. E se quer saber, ele deveria ter”).

A história? O Dublê Mike (Russell) persegue e assassina garotas em estradas com seu carro à prova de morte.

Ahn? É. Simples assim.

Kinda hot
Só que o barato de Tarantino é fazer do simples algo além do esperado. A montagem de sua “Thelma Schoonmaker”, Sally Menke, faz maravilhas em grandes (a primeira batida) e pequenas cenas, como o diálogo do primeiro grupo de garotas dentro do carro, que é uma aula de dinamismo em uma seqüência de pura fala. Contribui o ritmo próprio dos diálogos que, nas mãos do cineasta, tornam-se uma espécie de música própria do filme – não por acaso, são usados no CD da trilha.

Kinda sexy
Tarantino assume também a direção de fotografia e aproveita o erotismo gratuito do cinema Z para filmar os mais bonitos closes de bunda, seios e pernas – bonitos mesmo, com movimentos de câmera ensaiados, acompanhados da música certa, e de um figurino fetichista típico do gênero. E claro, a tara do diretor por pés não podia ficar de fora.

Hysterically funny, but not funny looking
Mas nada disso funcionaria sem o carinho com que Tarantino cria e trata seus personagens, principalmente as garotas. Mesmo o figurino citado é justificado pela personalidade de cada uma – a bota de caubói da moça durona; a atriz vestida de líder de torcida para um filme; a garota cheia de auto-afirmação desde os tempos de colégio, exibindo suas pernas com um shortinho mínimo. Ele dá profundidade e carisma friamente calculados a todas elas, de acordo com seus interesses – e é esse cálculo que faz a ação do meio tão chocante e a do final tão catártica. E não o sangue.

Os geeks ainda verão o retorno dos policiais McGraw de “Kill Bill” e “Um drink no inferno”. E a reencenação feminina do plano-seqüência inicial de “Cães de aluguel”. “À prova de morte” tem, assim, todas as coisas que Tarantino aprendeu a adorar e respeitar: cinema, mulheres fodonas quebrando o pau e, nós, os fãs do lado de cá.

Mais pílulas:
Sin city
Old boy
Clássicos na prateleira: Psicose

Respostas: foi para Zöe Bell, sua dublê, que Uma Thurman vendeu a Pussy Wagon entre os dois Kill Bill.

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