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A vista de Paris

05.10.07

por Igor Costoli

Viagem a Darjeeling

(The Darjeeling Limited, EUA, 2007)

Dir.: Wes Anderson
Elenco: Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Amara Karan, Camilla Rutherford, Irfan Khan

Princípio Ativo:
Os Excêntricos Whitman

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Para Wes Anderson, a ligação entre irmãos é a mais íntima e verdadeira que existe. Já seu filme convida o espectador a duvidar de que isso seja verdade.

- Por que passamos um ano sem nos falar?
- Porque não confiamos um no outro.


“Viagem a Darjeeling” é um road movie sobre trilhos, levando uma família em crise por uma viagem em terras desconhecidas. E, nesses termos, até parece uma combinação de dois de seus filmes anteriores, “Os Excêntricos Tenenbaums” e “A Vida Marinha com Steve Zissou”.

Os irmãos Whitman pegam o trem que atravessa a Índia em busca de redescoberta e redenção. Ou quase. Francis (Wilson) é o mais velho e propôs a viagem como uma oportunidade dos irmãos, que não se falavam há mais de um ano, viverem experiências espirituais e libertadoras. Os outros dois não conseguem se entregar à idéia, porque logo fica claro que o próprio Francis, dono de uma individualidade típica ocidental, também não se dedica à tal jornada espiritual, mesmo reafirmando sua admiração pela cultura indiana.

Em pouco tempo, todos têm resposta pro fato de não conversarem há tanto tempo. E aí começa a diversão. Peter (Brody), prestes a se tornar pai e lidando mal com a novidade, é folgado e espaçoso. Jack (Schwartzman) não está preocupado com coisa alguma, exceto sua vida amorosa, e Francis excede a liderança de ‘mais velho’ com sua personalidade dominadora.

- O que ele disse?
- Disse que o trem está perdido.
- Como é que um trem pode se perder, ele está sobre trilhos!


Anderson aproveita para experimentar belos planos, e acerta a mão. Enquanto isso, filma deixando a impressão de que a gota d’água está para cair, gerando risadas, logo em seguida, quando o copo todo finalmente entorna entre os irmãos. Apesar do lado cômico, o filme joga com a expectativa do “agora vai” para a redenção dos três protagonistas e acerta exatamente ao não fechar todas as cicatrizes deles.

Francis não se recupera totalmente dos cortes de seu acidente (um mórbido “a vida imita a arte”, já que Wilson também se ‘acidentou’ recentemente). Nem Peter, apesar das discussões, abre mão dos óculos do finado pai. Mas todos, no fim, acabam se entregando à viagem proposta.

No Festival do Rio, Anderson ainda apresentou o curta “Hotel Chevalier”, exibido antes do longa, o que não deve acontecer quando estiver em cartaz. Ele não é indispensável para entender o filme, mas é uma experiência especial para quem o viu, além de responder o espectador que se perguntar: “a namorada do Jack é quem estou pensando que é?”. Sim, é. E ela aparece durante um segundo piscou-perdeu no filme. E deixa uma sensação de quero mais...


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