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Quer pagar quanto por essas guitarras?

12.10.07

por Cedê Silva

Radiohead – In Rainbows

(Independente, 2007)

Top 3: “Nude”, “Weird Fishes/Arpeggi”, “Faust Arp”.

Princípio Ativo:
Guitarras

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Após um jejum de quatro anos, o quinteto britânico entrega aos fãs e simpatizantes mais um álbum.

Mas não nas lojas, baby.

In Rainbows pode ser baixado no site oficial, e você paga o preço que quiser. Inclusive nada. Este revolucionário regime de distribuição confia na comunidade, no mesmo espírito Wikipedia – e eu conheço pelo menos uma fã(zaça) que já pagou cinco libras pela novidade, o mesmo preço médio de um disco nas terras de Shakespeare.

Este humilde jornalista, não sendo fã de Radiohead, mas interessado na novidade, baixou de graça mesmo. Mas a questão não é se vale à pena pagar por algo que podemos ter de graça – e sim, se vale financiar novas empreitadas do Radiohead. Vejamos.

Primeiro, deve-se dizer que o Radiohead sabe usar guitarras. Guitarras de fundo, solos de guitarra, guitarras em tom de blues, guitarras avançando o enredo da música, guitarras se escorregando por toda uma faixa e compondo uma atmosfera guitárrica. E gente, é muito bom.

Segundo, este disco não se parece com nenhum outro, exceto talvez pelos trabalhos anteriores do Radiohead. A etérea e bonita “Nude”, cujos tons me lembraram algo d’O Senhor dos Anéis, é sucedida por um verdadeiro mergulho musical chamado “Weird Fishes/Arpeggi”, que, como o próprio nome duplo sugere, alterna ritmos lentos com agitados. Uma verdadeira viagem (“In the deepest ocean / the bottom of the sea / your eyes, they turn me (...) I get eaten by the worms / And weird fishes”). Some a isto “All I Need” e você já tem uma trinca de qualidade.

Terceiro, os fãs devem saber que algumas das dez faixas foram escritas ainda nos anos noventa, mas só agora estão vindo à superfície.

Isso dito, a melhor característica do Radiohead talvez seja conseguir introduzir novos instrumentos e/ou alterar o ritmo bem no meio de uma canção de forma suave, sem forçar a barra e sem que fique parecendo apenas “olha só como sabemos tocar um tantão de coisa”. Eles também conseguem compor músicas lentas com um fundo agitado sem que fique desarmônico, e - principalmente, suas músicas lentas não são deprimentes.

A única coisa que não se destaca são as letras – tirando uma ou outra imagem interessante (“House of Cards”, os versos iniciais de “Videotape”, parte de “House Arp”, e a referida viagem submarina de “Weird Fishes”), são em geral desconexas e não têm nada demais para dizer. A força está mesmo nas guitarras. Ah, e em todo o resto.

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