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Garoa (inglesa) de estrelas

13.10.07

por Daniel Oliveira

Stardust - O mistério da estrela

(Stardust, Reino Unido/EUA, 2007)

Dir.: Matthew Vaughn
Elenco: Charlie Cox, Claire Danes, Michelle Pfeiffer, Sienna Miller, Robert De Niro, Mark Strong, Peter O’Toole, Ricky Gervais

Princípio Ativo:
Gaiman

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Era uma vez um nerd idiota que vai parar num mundo fantástico e se mete em confusão com princesas, reis e bruxas. Você já viu esse filme trocentas vezes. E, apesar do subtítulo genérico brasileiro, “Stardust” não tem mistério. Leva uns 20 minutos para que o protagonista Tristan (Cox) encontre a estrela cadente Yvaine (Danes) e, daí, você já sabe como a história vai terminar.

Para a sorte de “Stardust”:

1- A obra original foi escrita por Neil Gaiman: nada é tão bonitinho e encantado assim. Tristan ‘seqüestra’ Yvaine para presentear Victoria, garota mimada por quem é apaixonado. Quando os dois literalmente se esbarram, ela responde pra ele “sim, ali é onde uma estrela caiu. E aqui é onde ela foi atingida por um IDIOTA mágico voador!”. Leia-se Tristan.

2- A direção é do inglês Matthew Vaughn. Ele conta a história de forma competentemente clássica e sem um pingo de inovação, seguindo à risca a ‘escola Senhor dos Anéis de longas fantásticos’ (leia-se grandes panorâmicas de cavalgadas e fugas em montanhas, trilha retumbante e respeito pelo original). Mas, na boa direção de atores, mantém o ritmo e a subversão dos diálogos de Gaiman, irônicos e ingleses como “Nem tudo é o que parece”, seu filme anterior.

3- A bruxa Lamia é interpretada por Michelle Pfeiffer. Além de estonteantemente bonita (quando ela aparece pela primeira vez, você se pergunta se não é ela a estrela), a atriz acerta o tom maquiavélico de um conto-de-fadas, com um tempero de auto-depreciação, e rouba todas as cenas em que está presente. O quase estreante Charlie Cox também dá carisma ao protagonista, com uma cara de cão sem dono que convence de que, sim, ele é tão atrapalhado quanto parece.

Só que nem tudo são flores. Robert De Niro aparece como um pirata afetado, sem nenhum respeito por seus cabelos brancos ou pelos fãs envergonhados na poltrona. Com um humor desafinado, acima do resto do filme, ele faz a seqüência em seu barco parecer alongada demais e desnecessária à narrativa. Danes é outra escolha questionável. Apesar de correta, ela parece nunca personificar a importância e o encanto da Estrela do livro – algumas atrizes não precisariam do CGI para brilhar como a apaixonada Yvaine.

Apesar das falhas, “Stardust” ainda é um longa infanto-juvenil acima da média. A genialidade de Gaiman está preservada - nos fantasmas dos príncipes mortos, por exemplo – e o elenco, no todo, consegue transpor um improvável universo fantástico para a tela. Falta a emoção empolgante do livro que, maldito Peter Jackson, sempre terá um parâmetro muito grande de comparação depois que o cinema conheceu a Terra-Média.

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