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Samba seu uma pinóia!

21.10.07

por Lucas Galvão

Maria Rita – Samba Meu

(Warner, 2007)

Top 3: “O Homem Falou”, “Mente ao meu coração” e “Casa de Noca”.

Princípio Ativo:
Sambas variados

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Quase cinco anos após lançar seu primeiro disco, Maria Rita continua dividindo opiniões entre aqueles que conseguem enxergar valor em seu trabalho e os que vêem nela somente um eco falho e aguado da mãe. A cantora, que abriu caminho para uma nova safra da qual Roberta Sá e Thalma de Freitas vieram, lança CD dedicado ao ritmo que mais consagrou as últimas, mas que apenas flertou em trabalhos anteriores: o samba. Se dedicar um disco inteiro a um único ritmo pode parecer ousado por um lado, por outro a iniciativa é bem conveniente.

Em vez de investir em compositores consagrados ou apostar somente em arranjos sofisticados e que lembrem a bossa nova, Samba Meu se mostra bem mais abrangente e popular. Para escolher as faixas do CD, Maria Rita mergulhou de cabeça no repertório do Fundo de Quintal, além de influências mais clássicas como Dona Ivone Lara e Chico Buarque. O resultado é um trabalho consistente: o time de canções da cantora joga pra ganhar.

“Meu samba” abre o disco, com Maria Rita cantando praticamente à capela para depois serem introduzidos o violão e os demais acompanhamentos. O tom bastante intimista serve com introdução do álbum. Depois seguem “O Homem Falou” e “Maltratar não é direito”, dois sambas mais pronunciados, com tons que evocam a festa e que chegam a lembrar Clara Nunes em seus bons momentos. Quem pensa que o tom de “sambão” de tais faixas permeará todo o disco, no entanto, se engana.

Logo em seguida têm vez os sambas mais sutis, cujo arranjo se aproxima mesmo do jazz e chega a lembrar o que Roberta Sá tem feito. Em “Num Corpo Só” e “Tá Perdoado” ternura e suavidade se destacam, sem que se perca a cadência. É em “Mente ao meu coração”, porém, que o arranjo dá vez a toda a suavidade da voz de Maria Rita. A faixa é um belo samba-canção e um dos melhores momentos do disco.

Há espaço para tudo no caldeirão de Maria Rita: de sambas lentos que lembram muito de longe o romantismo de Martinho da Vila, como “Trajetória”, a outros em que há ritmo na fala, com traços de Geraldo Pereira, como “Novo amor”. Faixas boas e medianas se alternam sem que se perca o tom e, ao fim, a boa “Em Casa de Noca” fecha o disco misturando piano e bateria jazzísticos com um cavaquinho bem colocado.

Samba Meu é um disco sem novidades. Nos sambas interpretados pela cantora, o pudor é mestre-sala e a honestidade a porta-bandeira. O samba é abordado em todas as suas linguagens e há mérito nisso, quer você goste ou não de Maria Rita.

"Senhor, eu juro pela alma de minha mãe que sempre gostei de samba"

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