Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Mais um hype de vestido

17.11.07

por Braulio Lorentz

Kate Nash – Made of Bricks

(Universal, 2007)

Top 3: "Foundations", "Mariela" e “Shit Song”.

Princípio Ativo:
música de menininha

receite essa matéria para um amigo

Dizem que Kate Nash, pianista-cantora inglesinha de 20 anos, é a nova Lily Allen. Como se Lily não fosse nova o bastante. O disco de estréia de Nash, Made of Bricks, acaba de chegar ao Brasil com três meses de atraso.

"Foundations", primeiro single do CD, é uma tetéia. Começa com uma levada hipnótica, com destaque para o fiel escudeiro da garota, o piano. As letras são as que mais combinam com o papo de Lily Allen 2007, ao retratar o dia a dia de uma menina fofa em Londres. Fofa sim, mas com colhões para descrever o namorado com adjetivos nada delicados.

A faixa tem em seu DNA as mesmas propriedades que consagraram "Grace Kelly", hit do afetado cantor libanês Mika, na terra da rainha. Kate Nash fez o mesmo percurso de Mika e de Lily Allen: foi do Myspace para a parte mais alta da Billboard, mas sem tanta demora. Foi amor à primeira vista entre "Foundations" e a tecla repeat dos tocadores de MP3 espalhados pelo velho continente.

Por causa do sucesso de seus vídeos de baixo orçamento e dos downloads de suas faixas (são pouco mais de um milhão e meio de acessos ao Myspace), Made of Bricks foi cinco semanas mais cedo para as lojas. "Foundations" figura na lista "Hot 100 Singles" desde antes disso. Ficou mais de um mês no segundo lugar e só não colocou a medalha de ouro no peito por causa da incansável "Umbrella", de Rihanna, que bateu o recorde de permanência no cume da Billboard européia nesta década. Muito além de "Foundations", o CD cativa já na primeira audição e combina com a overdose de garotas cantoras nesta temporada (que o diga a programação do Tim Festival com Björk e Cat Power).

Na balada "Birds", é forte (e estranha) a impressão de que um dos novos intérpretes do reggae brasileiro – como Armandinho – entrará cantando, logo após os dedilhados fuleiros da introdução. Mas tudo melhora no refrão. Se a música pop fosse uma enciclopédia, "We get on" e "Mariela" seriam tópicos do verbete "Björk para iniciantes". A definição é válida muito por causa do timbre vocal que esbarra no da islandesa, embora sem o mesmo caráter hermético (para não dizer cabeçudo) e com palminhas toscas e clima de bebedeira aqui e ali.

"Shit Song" assusta com uma levada de piano que aparece de mãos dadas com batidas surrupiadas da dance music dos anos 90. O melhor é que nada soa manjado. Nem mesmo as declarações com o intuito de ganhar manchetes nos tablóides britânicos. Kate já chamou as integrantes das Spice Girls de velhas e criticou a volta do grupo. Pra completar, o novo hype de vestido deste ano tem o blog mais honesto e divertido desde o de... Lily Allen.

(Outra versão deste texto foi publicada no Jornal do Brasil)

E ela ainda pula

» leia/escreva comentários (7)