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Manu trip

19.11.07

por Tahiana Máximo

Manu Chao - La Radiolina

(Nacional Records, 2007)

Top 3: “Outro Mundo”, “El Kitapena”, “13 dias”.

Princípio Ativo:
Latinidade

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La Radiolina, novo CD do Manu Chao, quer te levar numa road trip. Nas seis primeiras músicas, você vai querer alugar um carro conversível, desses no estilo banheirão, vermelho-alaranjado, com banco de couro bege e um retrovisor redondo, de preferência com um santinho pendurado. Mas nada de chapelão mexicano - estamos operando com estereótipos, mas não tão estúpidos. A música de Chao dá um novo ar a ritmos manjados e injeta jovialidade em batidas típicas.

Então, você começa a dirigir pelo deserto com só uma mão no volante e levantando muita poeira, no clima de perseguição muito louco sugerido pela trilha. Quando “Politk Kills” começar a tocar, talvez seja uma boa hora pra você encostar o carro e dar uns tiros num alvo com a cara do Bush ou do Renan Calheiros, depende das suas preocupações. Aí pode alisar com cara de mau o bigodão.

Em “Me llaman calle” e “A cosa” é hora de parar numa cidadezinha e participar dessas festas de rua com pessoas batendo palmas e dançando ao som de uma viola espanhola e de um trompete ao fundo. Mas as músicas mais tranqüilas não duram muito tempo. Logo a festa vai ficar animada com toques de guitarra, bateria mais marcada e até batidas eletrônicas, mas tão leves que quase não amenizam o alto teor latino das canções.

Não deixe a letra em inglês de “The Bleedin Clown” te enganar. Nesse CD, Manu Chao parece ter garimpado seu caldeirão poliglota, tão fervilhante em Clandestino, sem álbum de estréia solo, e deixado passar mesmo as influências espanholas e latino-americanas. Das 21 músicas de La Radiolina, a maioria é cantada inteiramente em espanhol. Isso não quer dizer que o cantor tenha abdicado de seu posto de “cidadão do mundo”. Letras em francês, inglês, português e italiano também compõem o álbum, algumas vezes misturadas na mesma música. Manu Chao segue sendo Manu Chao.

O álbum oscila entre músicas mais tranqüilas, quase mantras entoados pelo jeito falado de cantar de Chao, e agitadas, com um toquezinho punk (de leve) que ele resgatou de sua antiga banda dos anos 80, o Mano Negra. O “jeito Manu Chao de ser” apresentado a nós por Clandestino continua lá: vozes ecoadas, letras simples e repetitivas, assim como os ritmos base de cada faixa, quase loopings que mudam muito pouco ao longo de cada música. Em alguns momentos esses ritmos se repetem até mesmo em músicas diferentes, fazendo uma espécie de dobradinha, como em “El Kitapena” e “Rainin in Paradize”, ou em “Otro mundo” e “Sone Otro Mundo”. A repetição e o caráter panfletário cansam um pouco, e Manu Chao já esteve melhor. Mas nada que exclua La Radiolina da sua próxima festinha entre amigos. Ou da sua road trip pelo México.

Só faltou ter um bigodão e alisá-lo com cara de mau

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