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Maturidade adiada

22.11.07

por Rodrigo Campanella

O Magnata

(Brasil, 2007)

Dir.: Johnny Araújo
Elenco: Paulo Vilhena, Rosane Holland, Chorão, Marcelo Nova, Priscila Sol, Chico Diaz

Princípio Ativo:
vinagre 18 anos

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O Magnata é um filme para os amigos.

Talvez em algum dia pré-universitário você tenha comprado um galão de vinho barato de cinco litros, junto com suas amizades, e tomado apenas dois quintos do conteúdo. Depois de algumas semanas (meses?), tenha voltado ao garrafão, com as mesmas companhias, e tomado o resto por brincadeira – com um inesquecível gosto de vinagre. Na hora nem estava bom, mas rendeu uma história para rir depois, na companhia daquelas pessoas queridas.

Com as alterações necessárias, o vinho azedo do parágrafo acima pode ser trocado por esse filme, “escrito por Chorão”, do Charlie Brown Jr., algo que os créditos exibem umas três vezes, para deixar claro que o nome dele tem mais peso do que o do diretor. “O Magnata” é uma brincadeira que parece ter sido feita apenas para os amigos mais chegados, no máximo fãs e iniciados. Mas foi lançado nos cinemas e quem paga, com paciência, é o público, para ver essa mistura entre show/propaganda da banda de Chorão com rascunhos de um roteiro dado como pronto muito antes de estar maduro.

“O Magnata” não é um atentado à boa vontade como um filme dos irmãos Wayans ou aquele já clássico constrangimento nacional chamado “Sonhos e Desejos”. É simplesmente um rolo de filme estacionado na porta do cinema pedindo para entrar, mas barrado por não saber se seu fôlego é de longa ou de videoclipe. Na história, que nunca define um rumo, ele simplesmente passeia de skate em cima dos poços sem fundo da vida. Nos cortes entre as cenas, a música é baixada à força para coincidir com a transição entre uma cena e outra.

Resumindo: o duro de colocar muita grana num filme desses é que você não pode esconder os negativos no quarto dos fundos e tirar apenas para lembrar alguns acontecimentos engraçados ou estudar as próprias deficiências. A imaturidade está ali, exibida em tela grande, na dificuldade em arrancar uma interpretação que pareça sincera ou de construir um tom para o filme que acerte no estômago, coisa que ele tenta mas tropeça nas dezenas de muletas usadas pelo roteiro.

O que o filme tem, por baixo do despreparo completo, é um afeto real, interior, e até excessivamente tolerante em relação aos adolescentes que filma – coisa que em 2007 esteve bastante presente na tela, nem todas as vezes com execução infeliz. Mas “O Magnata” provavelmente só consegue casar bem com uma pizza pré-cozida de fast-food antes e um fliperama depois. Programa pré-estabelecido para não usar muito a cabeça – com direito a vinagre em profusão, mas provavelmente sem história pra contar depois.

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Foto de divulgação – na dúvida, chame os amigos

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