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Cercadinho bem-trabalhado

21.12.07

por Rodrigo Campanella

30 Dias de Noite

(30 Days of Night, Nova Zelândia/Estados Unidos, 2007)

Dir.: David Slade
Elenco: Josh Hartnett, Melissa George, Danny Houston

Princípio Ativo:
responsa

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Alguns filmes levam o benefício da dúvida. Talvez o espectador não esteja inspirado no dia em que assiste, talvez ainda não tenha idade suficiente para pegar sua poltrona naquela viagem específica mas, ainda assim, ele sai do cinema com uma faísca fazendo cócegas na cabeça, uma vontade de rever o filme mais tarde.

“30 Dias de Noite”, do britânico David Slade, é direto e despretensioso demais para deixar alguma sensação latente faiscando no público. Seu benefício então é outro: o do contexto.

A história dos vampiros que tomam uma cidade no Alasca onde o sol se ausenta por um mês é contada didática mas dignamente. Não há grandes lições ao final, casais de amantes na cama que serão as primeiras vítimas, super-heróis até então disfarçados de delegados que ganham habilidades incríveis quando empunham a pistola contra seres sobrenaturais. Não há soluções mágicas. E se esse parece um parágrafo que nada diz sobre o filme, ele resume o que “30 Dias de Noite” quer ser e, nas suas limitações, consegue.

O que existe em Barrow, Alasca, é apenas um punhado de gente assustada, tentando sobreviver como pode até o retorno da manhã. E essa longa noite é bem filmada e editada, dando ritmo e revelando cuidado com um cinema que leva o carimbo “COMERCIAL” em todas as latas de filme.

“30 Dias” é, acima de tudo, um grande empreendimento financeiro baseado numa HQ de sucesso, com apelo juvenil e um pé no imaginário mais lugar comum do terror. |í entra o benefício do contexto: enquanto quase todo o cinema comercial de “terror” apela para roteiros infantis, sangue fácil e explosões de volume que fazem o público pular da cadeira, o filme de Slade usa como instrumentos a passagem sem mudança dos dias, a espera, o silêncio necessário para que os carrascos não ataquem. Com essas opções, faz um filme que leva a sério quem foi ali com um mínimo de boa vontade pela história.

Além disso, “30 Dias” abençoadamente não tem aquela tonalidade azul ou amarelada, resultado de filtros para “amaciar” as imagens, que homogeniza boa parte da produção americana atual. E possui um Josh Hartnett calibrado no ponto certo, como um moleque crescido transformado em delegado, que fala para dentro e, no fundo, está morrendo de medo.

É um filme limitado, onde a noite eterna é clara demais e a tensão psicológica é semi-rascunhada. Dentro desse cercado, e com ângulos de câmera que provavelmente emulam os quadros da revista do qual surgiu, é um filme bem trabalhado. Desperta a vontade de pegar a HQ original para ler, mesmo em quem nunca havia cogitado isso.

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