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A lenda do filme sem (pé nem) cabeça

17.01.08

por Mariana Marques

Eu sou a lenda

(I am legend, EUA, 2007)

Dir.: Francis Lawrence
Elenco: Will Smith, Alice Braga, Willow Smith, Charlie Tahan, Salli Richardson, Dash Mihok

Princípio Ativo:
adaptação blockbuster

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Não haviam se passado nem dois minutos de projeção quando o amigo polonês ao lado falou: “Ok, já vimos o cara forte, o carro bonzão e a arma fodona. Só falta a mulher gostosa para a gente ter certeza do tipo de filme a que estamos assistindo”. Eu disse “espera”, porque já sabia que Alice Braga poderia aparecer a qualquer momento.

Só mais tarde, eu me daria conta de que errei feio.

O cara forte em questão é o cientista Robert Neville (Will Smith), último homem vivo na Terra após uma devastadora epidemia. Não me perguntem qual seriam o carro ou a arma, mas Neville sempre os usa em suas buscas por algum outro sobrevivente.

É a terceira vez que a ficção científica baseada no livro de Richard Matheson sobre o último homem vivo na terra vai para o cinema. Smith, porém, não está totalmente sozinho: tem o melhor amigo do último homem, a pastora alemã Sam, e também os monstros – pessoas infectadas pelo vírus que sofreram mutação e não suportam a luz do dia. Aliás, até um pouco antes dos monstros albinos aparecerem, “Eu Sou a Lenda”, de Francis Lawrence (Constantine), tem bons momentos da rotina de Neville em uma Nova Iorque abandonada.

As cenas de Manhanttan completamente vazia até poderiam provocar uma filosofia rasa sobre a solidão do único habitante do planeta. A idéia de ir à locadora todos os dias, devolver os filmes e conversar com manequins das lojas é simpática. Mas logo surgem os tais zumbis e fica difícil agüentar. Você começa a perceber que nada faz muito sentido (por que diabos Neville dorme em uma banheira, se minutos depois põe um menino pra dormir no quarto da filha?) e que é melhor deixar tais perguntas para lá.

E quando surge Anna (Alice Braga) com o garoto Ethan, eu tive que pedir desculpas ao amigo. Expliquei depois que o figurino de moça de família indo pra quermesse não faz jus à beleza da sobrinha da Sônia. Sem ironia, seria melhor se Alice fosse a gostosona que ajuda Will Smith com suas.. err... carências afetivas – ou, ao menos, mais adequado à adaptação blockbuster.

Só que o longa começa a querer filosofar sobre ciência versus religião. E juro que durante discurso de Neville sobre Bob Marley (que, a propósito, é alguém que Anna desconhece, isso mesmo) ser um deus, olhei para o canto esquerdo superior da tela. Não queria ver o Will Smith interpretando aquilo. Só ouvir bastava. Vergonha alheia tem limite.

Ah, se o termômetro subiu alguma coisa aí acima, mesmo com tanta ruindade, digamos que dou 10 graus para cada mês longe da telona. Estava com saudades.

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Planeta Terror

Will e Willow: na família Smith é assim, aprendeu a falar, já pode trabalhar.

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