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O rei do ninho

22.02.08

por Daniel Oliveira

Antes de partir

(The bucket list, EUA, 2007)

Dir.: Rob Reiner
Elenco: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd

Princípio Ativo:
NICHOLSON. E Freeman.

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“Antes de partir” te faz refletir, repriorizar seus planos, questionar valores. Os personagens passam por experiências que mudam suas vidas, em lugares que os tornam pequenos diante de tanta beleza. A narração em off não te deixa perder nenhuma das lições de moral e, ao fim, se você tiver um mínimo de amor no coração, vai até chorar.

Grande coisa, você me dirá,

_“Para isso, vou ao terapeuta ou planejo uma viagem ao redor do mundo”.

Bem, eu concordaria com você, se esse não fosse um filme com o Jack Nicholson no papel de um milionário que pode falar e fazer o que quiser.

E Jack Nicholson falando e fazendo o que quer é a única coisa em “Antes de partir” que não é exatamente tudo o que uma Sessão da Tarde deseja. Até as pirâmides do Egito, o Taj Mahal e o Himalaia devem funcionar melhor nas suas tardes no sofá já que, na tela grande, o CGI barato é vergonhoso.

Nicholson é Edward Cole, milionário cínico e sem coração, com poucos meses de vida. Por sorte, seu vizinho no hospital é Carter Chambers, ou Morgan Freeman, o velho sábio mais sábio da história do cinema. E com sua voz pausada, sua expressão serena, e a experiência de quem já viu a redenção de Shawshank, conduziu Miss Daisy e foi velho sábio de ninguém menos que Clint Eastwood, Freeman (ou Carter, como preferir) ensina Cole a ser uma pessoa melhor durante uma viagem ao redor do mundo.

Para nossa sorte, antes que isso aconteça, Nicholson faz piada com as escatologias da velhice, tira sarro de todo mundo em cena e deixa até Freeman surpreso com suas improvisações. E, o melhor de tudo, solta falas como esta, quando seu assistente (Hayes, o Jack de Will & Grace) diz estar orgulhoso dele: “meu caro, ninguém liga para o que você pensa”.

Porque se você é Jack Nicholson, pode fazer essas coisas. E ninguém vai te repreender porque respeitam seus cabelos brancos. No meio disso tudo, há um diretor (Rob Reiner) que entrega o trabalho burocrático; um roteiro feito em duas semanas, mera desculpa para as piadas de Freeman e Nicholson; e um monte de ‘desafios radicais e sugestões turísticas’, que é melhor fazer do que ver outros fazendo. Ao final dessa brincadeira, você pode:

1- Ficar puto porque gastou dinheiro em um filme que poderia ver na TV.
2- Comprar o otimismo do longa e passar a olhar tudo pelo lado positivo: você viu uma grande performance de Jack Nicholson, um grande ator, na tela do cinema.
3- Ou sair da sessão se perguntando: “quantos filmes mais o Morgan Freeman vai narrar e interpretar o mesmo papel?”.

A escolha é sua e diz muito do quão espiritualizado – e mais próximo de Nicholson ou Freeman – você é.

Mais pílulas:
- Edison - poder e corrupção, velho sábio I
- Xeque-mate, velho sábio II
- Guerra dos mundos, narração-em-off-lição-de-moral
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

Só Nicholson pode usar um chapéu assim, com certeza de que ninguém tem colhões para tirar sarro dele.

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