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Emo em conserva

03.03.08

por Rodrigo Ortega

Simple Plan - SImple Plan

(Warner, 2008)

Top 3: “When I’m Gone”, “What If”, “No love”.

Princípio Ativo:
Formol

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16

Oi, eu tenho 16 anos e nunca vou crescer. Você já esteve na minha pele, depois me embrulhou e me guardou no fundo da sua cabeça. Daqui eu ouço o que toca no seu fone. Esse caos esterilizado, essas lições de auto-ajuda - a banda não é da minha época, mas eu conheço o cheiro de espírito adolescente. Well, so long, you'll miss me when I'm gone. Você ouve a música, vê o clipe, acha previsível e entediante. Você tenta agarrar versos inconsistentes e balança os punhos fechados, me invocando como a um deus da babaquice. Mas, cara, nem eu tenho nada a dizer sobre coisas tipo Take my hand tonight, let’s not think about tomorrow. A vida não é idiota como um disco do Simple Plan. Ela é muito pior. Mas não se preocupe em guardar isso. Eu sempre estarei aqui pra te lembrar.

23

Oi, eu tenho 23 anos e nunca vou crescer. Temos a mesma idade mas eu já não sou você. Oh! Não se faça de surpreso - você me espera nascer desde que leu aquele artigo sobre a idade em que os gostos de uma pessoa se congelam. Agora estou aqui guardando sua vida no vidro de formol, mas esse punk de Malhação do Simple Plan é uma coisa que definitivamente não vou deixar entrar. Por isso eu tapei seu ouvido por dentro e você teve que repetir esse CD umas cinco vezes até conseguir prestar atenção em alguma coisa, além de umas letras ridículas como I'm sick of all this waiting, and people telling me what I should be. Mas sua teimosia te fez recorrer ao moleque aí de cima, porque você acha que deve se expressar de alguma forma. Mas você não diz mais nada e não é mais ninguém. Você é um fantasma e sempre que precisar eu vou estar aqui te afogando em melancolia até você sumir.

Posso falar agora? Valeu.

Uma sensação de decadência instantânea e de um presente que não superou o passado são os recheios amargos sob a cobertura de refrões sorvete-na-testa do Simple Plan. Dão pena as tentativas de colocar eletrônica e hip-hop nas músicas, que nem isso conseguem e acabam sempre na farofada hey-ho-let’s-go. Basta uma comparação rápida com o My Chemical Romance ou com o Panic At The Disco para ver como o Simple Plan acha que o tempo não passou.

Só as músicas mais tristes merecem algum crédito, mais ou menos pelo mesmo motivo que o último disco do CPM 22: porque são realistas. Em “What if”, eles falam sobre seus medos: “What if I be the one who takes the blame / What if I can't go on without you / What if I graduate / What if I don't”. Mesmo que fosse corajoso o suficiente para se formar e concluir sua fase rock-Múltipla-Escolha”, o Simple Plan não teria notas boas o suficiente.

E foi assim que o Simple Plan morreu atropelado

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