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Não me convidaram pra essa festa pobre

10.03.08

por Igor Costoli

10.000 AC

(10.000 BC, EUA, 2008)

Dir.: Roland Emmerich
Elenco: Steven Strait, Camilla Belle, Cliff Curtis, Joel Virgel, Affif Ben Badra, Mo Zinal, Nathanael Baring, Omar Sharif

Princípio Ativo:
A Belle e as feras

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Graças à lista de concessões que este filme fez para tentar abarcar a maior quantidade de público possível, ele acabou por se tornar uma festa em que todos foram convidados, mas quase ninguém se sentiu em casa.

Para todas as idades

O pedido é “desligue o cérebro, e boa sessão”. No ano 10 mil antes de Cristo, vive uma tribo humana – várias, na verdade – com uma bem definida noção de sociedade e um inglês exemplar. É um absurdo histórico, mas, convenhamos, há bobagens maiores que essa sendo aceitas com freqüência em troca de uns noventa minutos de entretenimento.

Na história, a tribo dos Yagahl é invadida pelos “demônios de 4 patas”, que na verdade são guerreiros que atacam a cavalo, em busca de escravos. Um grupo de caçadores sobreviventes parte para resgatá-los, e tem início uma jornada pela Terra na era glacial.

Censura 12 anos

Boas locações, efeitos especiais, um bom desenho de produção, aves pré-históricas, mamutes, tigres dente-de-sabre (só faltou o esquilo) e um roteiro de resgate preparam o terreno para uma aventura épica. Entretanto, não abrir mão dos pequenos no cinema tem um preço. Emmerich (O Dia Depois de Amanhã) rodou um filme de ação em que o vermelho faz falta, e toda a violência presente é entregue já editada para a sessão da tarde. Resultado: a cena mais sanguinolenta é a de um castigo que provoca pequenos ferimentos na mão de uma personagem.

10.000 AC é uma fábula que fala de valores como coragem, heroísmo, a importância do trabalho em equipe e do respeito às diferenças étnicas e culturais. A bonita mensagem, contudo, está acompanhada de grandes escorregadelas ideológicas.

Limite 16 anos

Acima dessa idade, o senso crítico torna difícil se envolver pela história. A motivação do guerreiro D’Leh (Strait) para tomar a frente no resgate de seus iguais é seu amor por Evolet (a belíssima Camilla Belle), uma personagem por si só curiosa. A criança de olhos azuis, tomada como um sinal dos deuses, não seria em si um símbolo racista se os povos negros não fossem sempre mostrados como mais primitivos e, o pior, se os perversos inimigos não fossem de origem muçulmana.

Além de sempre buscar a solução mais óbvia, permitindo ao espectador se antecipar à ação (incluindo aí o final claramente "extraído" de 300), o filme comete ainda outras traições aos adultos: o tigre dente-de-sabre, sempre presente nas peças de divulgação tem, sim, uma participação chave na história, mas é abandonado pelo roteiro, naquela que é apenas mais uma das decepções que 10.000 AC reserva ao espectador.


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Gatinho bunitinho...

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