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A montanha mágica

12.03.08

por Rodrigo Campanella

Cada um com seu cinema

(Chacun son cinéma, França, 2007)

Dirs.: Kitano, Cronenberg, Lynch, Oliveira, W. Salles, Hsiao-Hsien, Ming-Liang, Polanski, Van Sant, Wenders, Kar-Wai, Iñárritu, Assayas, Cimino, Dardennes, Kiarostami, Chen, Campion...

Princípio Ativo:
o trem do amor (e do caos)

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Brinquedo

Em seu aniversário de seis décadas redondas, o Festival de Cannes mandou fazer o próprio presente. Trinta e três diretores foram convocados para realizar curtas-metragens de três minutos, onde a inspiração fosse “a sala de cinema”. Durante o festival, em 2007, um dos filmetes era exibido antes do longas. A reunião de quase todos agora é exportada nesse extenso pacote, que leva o mesmo nome do projeto - o curta dos oscarizados irmãos Coen, “World Cinema”, está ausente, sem maiores explicações.

Engatar tantos filmes, com pretensões e sentimentos contraditórios, dá uma sensação inevitável de montanha-russa. Há subidas onde o peito parece pequeno para conter o coração, retas em que as idéias aceleradas na cabeça parecem roubar o peso do corpo...e quedas bruscas. Num projeto de reunião como esse, com diretores violentamente diversos recebendo apenas uma transferência bancária e um passe-livre total, é de se esperar que alguns curtas fiquem deslocados. Quem não conhece os diretores em questão provavelmente vai se divertir ainda menos, nesse filme cinéfilo-para-cinéfilos na maior parte parte

Brincando

Em “Cada um...”, há diretores usando curtas como uma ponte entre o fascínio pelo cinema e suas obsessões autorais (David Cronenberg, Lynch, os irmãos Dardenne); outros olhando os filmes numa lente política, ajustada para incomodar (Win Wenders, Amos Gitai); e alguns enxergando o universo cinematográfico como um planeta ao redor do próprio umbigo (Lars Von Trier, Youssef Chanine, Elia Suleiman).

E há também os momentos em que esses curtas se entregam à obsessão que envolve o cinema. É quando surge, inteira, a coleção de emoções que só pode ser despertada nesses lugares míticos, escuros (e comercialmente pasteurizados) que continuam exibindo, em grande escala, ilusões de movimento.

As imagens de Wong Kar-Wai, Kiarostami, Hsiao-Hsien, Lelouch, Polanski, Moretti, Van Sant, Iñárritu e Takeshi Kitano, entre algumas outras ainda, resumem as marcas que o cinema deixa. Elas refletem aqueles tantos que, no balanço final da vida, irão contar em anos o tempo que passaram mergulhados na luz e na penumbra das imagens e das idéias dos outros, dentro desse mundo simultaneamente secreto e aberto a todos que é a sala escura. Cada um com seu gosto, buscando igualmente aquele cinema que se torna substância das próprias lembranças, e do próprio corpo.

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