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Putz, eles querem o PotUS!

20.03.08

por Cedê Silva

Ponto de vista

(Vantage Point, Estados Unidos, 2008)

Dir.: Pete Travis
Elenco: Dennis Quaid, Matthew Fox, Sigourney Weaver, Forest Whitaker, William Hurt, Eduardo Noriega

Princípio Ativo:
Implausibilidade

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É o sonho de nove entre dez universitários brasileiros: o assassinato do presidente dos EUA. É um desses filmes que conta a mesma história de variados pontos de vista – truque manjado que já foi visto até em “Deu a Louca na Chapeuzinho” e em episódio de Simpsons. E é a hora e a vez de mais um Jack Bauer/Capitão Nascimento: o agente do Serviço Secreto Thomas Barnes (Dennis Quaid), cinqüentão capaz de correr sem cansar e de dirigir a duzentos por hora, no trânsito intenso, sem bater.

“Ponto de Vista” se passa no dia da assinatura, em Salamanca, Espanha, de um tratado internacional anti-terrorismo. Autoridades de mais de 150 países estão presentes – só que o esquema de segurança tem buracos.

Embora o cartaz anuncie “oito pontos de vista”, o longa está dividido em seis partes - algumas contam a perspectiva de mais de um personagem. A força do filme está em somar, a cada rebobinada, informações novas, e não apenas recontar a história seis vezes. Esses fatos novos demoram a aparecer até a segunda metade do filme, mas lhe garantem novo impulso. Acompanhar a invasão do hotel onde está o presidente (William Hurt) é eletrizante. Esta seqüência, e uma perseguição que vai tirar qualquer um da cadeira – especialmente os que já estiveram em um acidente de carro - são os dois momentos que valem o ingresso.

Filmes de ação bobos são isso mesmo, mas também não podem forçar a amizade. É o que “Ponto de Vista” faz. Primeiro, ao alegar que existe desde Reagan um sósia do PotUS (como é chamado em todo o filme), que pode ser levado a locais inseguros. Ora, se por acaso estourarem a cabeça dele de forma obviamente fatal na frente das câmeras, vão fazer o quê? Admitir que era um sósia?

Segundo, ao dizer que interceptaram um e-mail com planos dos terroristas. Prezado diretor Travis: se os terroristas internacionais usassem e-mail, não seriam tão difíceis de combater. E terceiro, ao criar um vilão extra chamado “GNN”, uma terrível, monstruosa e manipuladora rede de TV, tratada com antipatia desde o início. Até a Vênus Platinada seria mais bem-quista nas universidades brasileiras.

“Ponto de Vista”, contudo, acerta no diagnóstico final, revelando o medo que os americanos têm, desde McCarthy, de teorias da conspiração. O recado vale também para nós brasileiros. Afinal as conspirações, graças a Deus, não existem, e todo mundo ou é bem franco a respeito de seus objetivos ou é simplesmente louco. Irônico que um recado tão saudável seja dado por um filme cheio de bobagens implausíveis.

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É um filme liberal: cada um vê o que quer.

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