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Garota de A a Z

20.04.08

por Igor Vieira

Falsa loura

(Brasil, 2007)

Dir.: Carlos Reichenbach
Elenco: Rosane Mulholland, Cauã Reymond, Maurício Mattar, Djin Sganzerla, Vanessa Prieto, Léo Áquila, Susana Alves, João Bourbonnais

Princípio Ativo:
Rosanne Mulholland

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“Falsa Loura” é mais um da leva dos filmes incentivados pela Bolsa Vitae que Carlos Reichenbach ganhou na década de 90 para a produção de seis longas centrados no proletariado feminino do ABC paulista. “Mulheres deslumbrantes, lindas e muito mais fortes do que as mulheres de classe alta”, elogios do próprio diretor, que explicam sua atração pelo tema.

E Carlão acertou em cheio na escalação da alma e corpo dessa mulher – e do próprio filme: Rosane Mulholland. Ela é Silmara, operária de atitudes fúteis que conhece o seu poder de sedução e despreza as colegas de trabalho, ao mesmo tempo em que dá duro para sustentar o pai, um incendiário criminoso.

A pedido de uma amiga da fábrica, ela decide ajudar outra colega a ser mais vaidosa e a leva a um show da banda Bruno e seus Andrés, que leva as mulheres ao delírio. Lá, Silmara é escolhida pelo vocalista Bruno de André (Cauã Reymond) para passar um fim de semana ao seu lado.

Apesar de ter sido tratada como uma prostituta, Silmara aceita de cabeça erguida um novo trabalho como ‘acompanhante’ quando o pai sofre novas suspeitas de envolvimento com incêndios. Ela repete a experiência junto a outro ídolo da música romântica - dessa vez Maurício Mattar, que revive no cantor Luís Ronaldo um papel que ele próprio interpretou no final dos anos 80 e início dos 90.

A aposta no cenário musical popular brasileiro (Paulo Ricardo foi um dos que emprestou uma de suas canções ao filme), e no seu grupo de fãs, rende uma das seqüencias mais engraçadas. Nela, Silmara passeia, como em um videoclipe, por um cenário artificial, ao lado de Luís Ronaldo. E o apelo popular dos nomes envolvidos no projeto (Susana Alves, a eterna Tiazinha, e Léo Áquila fazem ponta em papéis cômicos) deve ainda chamar a atenção e agradar parte do público no circuito comercial.

Os mais exigentes, porém, taxam Reichenbach simplesmente de brega. Por outro lado, há quem vá ficar mais incomodado nas cenas em que uma moça aparece seminua recitando trechos de filósofos como Sócrates - ao que tudo indica, marcando o desenvolvimento da personagem.

Carlão declarou que os últimos quinze minutos de película eram talvez o melhor que ele já havia filmado e que, ao final da projeção, alguma coisa poderia ficar no estômago. Tanta atenção ao último ato é explicada quando Rosane Mulholland nos revela toda a fragilidade escondida por trás da força de Silmara. Característica que o autor valoriza tanto nessas garotas do ABC - e que a atriz evoca tão bem.

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Silmara/Rosane sonha com a água oxigenada permanente...

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