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Lá lá lá, eu te amo

05.05.08

por Braulio Lorentz

The Kooks – Konk

(Astralwerks – Importado, 2008)

Top 3: “See the Sun”, "Mr. Maker" e “Love it all”.

Princípio Ativo:
anticantarolável

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E então na quarta música de seu segundo CD, o vocalista do grupo que você dizia ser a melhor boy band do novo britpop (com o desprendimento da primeira e a frescura assobiável do segundo) começa a perguntar cantando: "Você quer, você quer, você quer fazer amor comigo?". Mas não é só isso. A música é, acredite, ainda pior do que a letra. Luke Pritchard, o tal vocalista, faz a vergonha alheia bater com a cabeça no teto. E quebrar os espelhos. E furar o colchão d'água.

Depois de vender dois milhões de CDs de sua formidável estréia Inside in/ Inside out, lançada em 2006, o quarteto britânico de rapazinhos com vinte e poucos anos parece ter desistido de ser o Arctic Monkeys para quem acha The Kinks mais legal do que The Clash. No que depender de Konk, lançado mês passado no mercado europeu e sem previsão de chegada ao brasileiro, você não terá repertório para cantarolar e assobiar andando pela rua.

O primeiro single "Always Where I Need to Be" e a quase boa "Mr. Maker", a segunda e terceira faixas do CD, têm (poucas) chances de ganhar uma vaguinha, mas elas só se destacam pela fragilidade das demais canções. A única realmente decente do disco é a música de abertura, que é um pouco mais complexa para os padrões do grupo. “See the Sun” com sobretudo de lã e óculos escuros poderia ser confundida com uma das pepitas do primeiro trabalho como “She Moves in Her Own Way”, “Ooh La” e “Naïve”.

Tudo é menos doce e mais perdido do que no debute. A banda ensaia um refrão inspirado (“Love it all”), mas até nos momentos menos monótonos os caras soam como se estivessem no piloto automático.

Mesmo que isto possa parecer um elogio, por mais que Pritchard cante as letras por ele escritas, o que se ouve é um insistente “Lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá", sobretudo nas que soam como cansativas e cansadas músicas com violãozinho de rodinha de churrasco. “Shine On”, por exemplo, só emplaca com boa vontade e ótimo humor do ouvinte. Mas nada supera a carta de amor às groupies musicada que é “Do you wanna”. É a pior coisa que uma banda indie roqueira promissora já fez nesta década.

Ouch digo eu...

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