Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Apoiada em ombros de gigantes

29.05.08

por Lígia Souza

Scarlett Johansson - Anywhere I Lay My Head

(Atco/Rhino, Universal, 2008)

Top 3: "Falling Down", "I Don’t Want To Grow Up", "Anywhere I Lay My Head"

Princípio Ativo:
Participações

receite essa matéria para um amigo

Em 2005, a atriz Scarlett Johansson pôs um pé no mundo da música quando gravou uma faixa para o álbum Unexpected Dreams: Songs from the Stars, que tinha como objetivo arrecadar dinheiro para a Filarmônica de Los Angeles (no mesmo álbum, havia nomes como Ewan McGregor, Jennifer Garner e Teri Hatcher). Um ano depois, cantou “Just Like Honey” com o Jesus And Mary Chain no festival Coachella e pôs o outro pé no mercado fonográfico quando falou que ia gravar seu próprio álbum. Anywhere I Lay My Head foi lançado no dia 20 de maio desse ano.

O disco na verdade é uma espécie de coletânea do músico Tom Waits, com somente uma música escrita por Johansson (“Song for Jo”). E se o objetivo dela era se apoiar em ombros de gigantes, ela procurou outros: David Bowie participou de duas faixas, “Falling Down” e “Fannin Street”; Dave Sitek, do TV on the Radio produziu o álbum e Nick Zinner, guitarrista do Yeah Yeah Yeahs, tocou em sete das onze faixas. Todo esse apoio valeu a pena. A voz da moça não é das melhores, mas as músicas ainda assim ficaram boas. Nada demais, mas dá para ouvir o disco até o fim mais de uma vez.

Para quem não sabe, Tom Waits, é, como Johansson, cantor e ator (era o Renfield de Dracula, de Bram Stoker), apesar de ter uma participação maior na trilha sonora dos filmes. Ele também é bem conhecido por sua voz rouca. A escolha por interpretar suas músicas conta como um ponto para ela. O histórico de atrizes que cantam deixa qualquer um meio temeroso pelo que poderia sair disso (para citar algumas: Jennifer Lopez, Lindsay Lohan, Hilary Duff), mas a decisão de fazer covers de Tom Waits mostra que ScarJo tem bom gosto e que poderia fazer um bom trabalho. A moça ganha mais um ponto por ser uma boa atriz que faz bons filmes.

A voz da própria Johansson também é levemente rouca. Quando a primeira música, “Fawn”, começa a tocar, qualquer um fica esperando, meio curioso, para ouvir a atriz. Mas é só na segunda música que ela canta. Em “Town With No Cheer” dá parase assustar um pouco. O vocal é meio grosso, quase masculino. Em “Falling Down” já é possível associar aquela voz com a da Scarlett Johansson que você viu em Ponto Final ou Encontros e Desencontros (e, ao fundo, David Bowie a acompanhando).

Até o fim, o álbum continua mediano. As músicas são boas, mas não há nada nelas que chame muito a atenção. É o tipo de disco que, quando alguém pergunta o que achou, a resposta é “mais ou menos”. Mesmo assim, a balança pesa um pouco para o lado de Johansson, já que é seu primeiro álbum. É preciso admitir que seu nome (e o de produtor do álbum, do autor das músicas e das pessoas que participam dele) têm algum peso e, assim, até deixam o disco melhor. Mas é só o primeiro álbum e ela é atriz desde os 3 anos de idade, então Scarlett merece mais uma chance.

Um pouco de diva ela já tem

» leia/escreva comentários (12)