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A falta que alguém faz

15.11.04

por Rodrigo Campanella

Capitão Sky e o Mundo de Amanhã

(Sky Captain and The World of Tomorrow, Estados Unidos, 2004)

Direção: Kerry Conran
Elenco: Jude Law, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi

Princípio Ativo:
Um fundo azul, uma boa idéia

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Quando as primeiras cenas de Capitão Sky foram finalizadas, algum grande executivo deve ter visto o pequeno material em uma sessão altamente restrita e pensado “Meu Deus, o próximo sucesso realmente está aqui”, cifrões saltando em cima das pupilas.

Passados alguns meses, possivelmente o mesmo executivo foi à primeira exibição privada do filme já pronto. Junto dele, figurões de Hollywood, o diretor Kerry Conran e, talvez, Gwyneth Paltrow. Certamente saiu da exibição cabisbaixo: “É, eu errei. Melhor partir pra outra”.

Ele não estava totalmente certo. Capitão Sky... rendeu um bom dinheiro e é impossível o estúdio ter prejuízo contando vhs, dvd e distribuição internacional. Mas fortunas também não gerou. E a fórmula de filme-pipoca era certeira: grandes estrelas, um texto fácil, excelente visual, estilizando com charme as décadas de 30 e 40. Mas no meio, um problema estranho: Capitão Sky... é um filme que não faz questão alguma de público.

No melhor estilo “a montanha vai a Maomé”, o filme pede um espectador que fique sentado, preste atenção e não atrapalhe muito. O que está na tela fica encerrado em si e em momentos existe a impressão de se estar vendo um tipo de ‘filme de arte’, no sentido mais negativo (e egocêntrico) do termo.

‘Filme de arte’ aqui soa como trocadilho já que a grande brincadeira do filme é exatamente a ênfase em direção de arte e efeitos visuais. Inovação divulgada aos quatro ventos, todas as cenas foram filmadas sobre fundo azul, com os cenários inseridos na pós-produção.

Na história, grandes cientistas estão desaparecendo nos anos 30 por conta de um tal doutor Totenkopf. Na pista deles está a repórter Polly Perkins (Gwyneth). Quando robôs gigantes voadores invadem Nova Iorque, ela se une a seu ex-namorado Joe “Capitão Sky” (Law) para buscar o vilão por trás de tudo.

Se o visual é grande parte das vezes fantástico, a ação tem grande quê de ‘estático’. A emoção não emociona, as piadinhas são chochas. Em muitos momentos, especialmente no início, os atores parecem travados tentando se ajustar a um cenário que não vêem.

O filme talvez seja a tradução mais fiel para o cinema do movimento e visual de uma história em quadrinhos (Hulk tinha várias qualidades, mas não apostava tanto). Para uma melhor interação de cenários e atores, a fotografia é expressionista, borrada, o que só contribui para o visual HQ.

O processo de inserção posterior de cenários, inventado pelo próprio diretor, vale uma olhada no filme. Mesmo com a sensação desconfortável de que as imagens de fundo parecem ter mais vida que os próprios atores.

“Saco, olha lá mais dois espectadores dormindo!”

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