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O médico e o monstro, ou o francês e o taiwanês

16.06.08

por Igor Vieira

O incrível Hulk

(The Incredible Hulk, EUA, 2008)

Dir.: Louis Leterrier
Elenco: Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, William Hurt, Tim Blake Nelson

Princípio Ativo:
filme de super-herói em altíssimos decibéis

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Vida de super-herói não é nada fácil. Sacrifícios pessoais em nome do coletivo fazem parte da rotina. Para o Bruce Banner de “O Incrível Hulk”, a tarefa é redobrada. Além de conviver com as enormes diferenças entre ele e seu alter-ego, o cientista é obrigado a controlar a raiva que o transforma em uma verdadeira ameaça à humanidade. No entanto, a maior batalha travada pelo grandalhão verde este ano é com seu antecessor de 2003.

Round 1
O filme de Louis Leterrier tem início cinco anos depois dos acontecimentos do “Hulk” de Ang Lee. Encontramos Banner (Norton) exilado na cidade do Rio de Janeiro, vivendo tranqüilamente na favela da Rocinha (!). As cenas rodadas na Tavares Bastos mostram um Brazil um pouco mais parecido com o Brasil. A escolha das locações tupiniquins, quando até mesmo Nova Iorque foi recriada no Canadá, dá uma vantagem à nova versão.

Os figurantes e atores brasileiros também ajudam. Se não fosse por um portunhol forçado e outros personagens ridiculamente dublados, este seria um dos poucos filmes de Hollywood a acertar na representação de um país latino-americano.

Round 2
O físico mirrado e o estilo intelectual de Norton deixaram mais evidentes as oposições entre o sensível Dr. Banner e o furioso Hulk. Isso sem falar que lhe sobra talento quando comparado ao encorpado Eric Bana, da versão anterior. Ponto para a nova produção. Mas o original de 2003 reage com a escalação de Jennifer Connelly para o papel de Betty Ross. Liv Tyler não traz mais que um rosto bonito em cena e não funciona no papel da cientista dividida entre o namorado e o pai.

A evolução dos efeitos especiais em cinco anos foi prejudicial ao filme de Lee, deixando seu Hulk “emborrachado” mais obsoleto ainda. As técnicas utilizadas pela equipe de Leterrier, similares às de “O Senhor dos Anéis” e “King Kong”, permitiram a criação de seqüências com personagens virtuais que não devem decepcionar os mais exigentes, como a briga final entre o herói e o vilão Abominável nas ruas de NY.

Nocaute
A maior diferença entre os dois exemplares do que se pode chamar de uma franquia, e que deve fazer a diferença nas bilheterias, é o tratamento e ritmo dados ao longa. A versão de Lee trouxe um herói existencialista. O ritmo arrastado desagradou aqueles que procuravam ação e pancadaria.

Já Leterrier traz no currículo filmes como “Carga Explosiva”. E contou com a experiência do roteirista Zak Penn (X-Men 2 e 3) e a ajuda de Norton no roteiro para dar ao público o que se espera de um bom filme de super-herói: adrenalina e muito barulho do início ao fim, dosados com romance e humor na medida certa.

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Gracinha.

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