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A Guerra é uma Fria. E se esquentar, pior ainda.

23.06.08

por Cedê Silva

Agente 86

(Get Smart, Estados Unidos, 2008)

Dir.: Peter Segal
Elenco: Steve Carell, Anne Hathaway, Dwayne Johnson, Alan Arkin, Terence Stamp, Bill Murray

Princípio Ativo:
Saudável desprezo pelas instituições americanas

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O cenário
Ele senta, suspira e podemos ver quem é. Um estufado careca de óculos, bem velho. Cedê Silva ri bem alto, sozinho, na sessão fechada para a imprensa.

“Agente 86” tem humor para ambos os gostos. É metade referências políticas ácidas, incluindo uma antológica cena do Presidente dos EUA lendo numa escolinha para crianças enquanto se deflagra uma crise nacional. E metade humor pastelão 'Jim Carrey', com o personagem-título (Carell, mais engraçado que em The Office) causando dor a si mesmo.

A trama demora a engatar. De início, Carell é apenas um analista da CONTROLE, mega-agência de espionagem que todos pensam ter sumido com a Guerra Fria. Ela não é a CIA: na CIA, as pessoas se atacam com grampeadores, ensina o Chefe (Arkin, em ótima paródia de Dick Cheney). Essa ‘diferença’ é o palco para disputas entre burocracias do governo norte-americano, comuns em filmes policiais e de espionagem, culminando numa sensacional briga que lembra “Dr. Fantástico”.

O analista 86 acaba tendo de enfrentar sua mais perigosa – e primeira – missão quando se descobre que a identidade de todos os agentes da CONTROLE foi comprometida. É a mesma jogada de “Johnny English”, promovido a agente porque todo o serviço de inteligência britânico é morto a bomba num velório. Sobram 86 e a sexy Agente 99 (Hathaway, que dribla lasers ainda melhor que Zeta-Jones).

E por falar em Johnny English, não comparar os filmes é impossível. “Agente 86” é derivado de um seriado dos anos 60, mas coube a English (e claro, a Austin Powers) atualizar a sátira de espionagem para as telonas pós-Guerra Fria. O filme americano, porém, permite-se algo que não há no britânico: um humor mais ácido em relação às instituições e ao governo. Em English, o máximo permitido era uma piada com o gosto da Rainha por seus cachorros. “Agente 86” vai além. E, ao mesmo tempo em que é menos sério, é também mais, já que o protagonista é capaz de lutar e há boas seqüências de ação.

A Guerra Fria continua: boa parte da ação se passa na Rússia (e não no Oriente Médio, por exemplo) e piadas bobíssimas (ainda assim hilárias) com o sotaque russo aparecem. Mas são os bons diálogos e um elenco em sincronia que dão o tom, junto à trilha do filme, mais contemporânea impossível: 4 Minutes, do trio Madonna, Justin e Timbaland.

Mais pílulas:
- Overdose James Bond
- O ultimato Bourne
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Anne Hathaway: pronta para peitar as concorrentes ao posto de próxima Bondgirl.

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