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Sherazade brasileira

03.07.08

por Taís Oliveira

Bodas de papel

(Brasil, 2007)

Dir: André Sturm
Elenco: Helena Ranaldi, Dario Grandinetti, Walmor Chagas, Cleyde Yáconis, Sérgio Mamberti, Iara Reis

Princípio Ativo:
Fale com Helena

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A sinopse de “Bodas de Papel”, que entra em cartaz 4 de julho em BH, não é muito animadora: “Uma história de amor entre um homem e uma mulher que se encontram em uma cidade que não deveria existir”.

Mas talvez, eu ponderava, o romance entre Nina (Ranaldi, estreando no cinema) e Miguel (Grandinetti, de “Fale com Ela”) fosse bom o suficiente para carregar o filme. Ele acontece como quem arreda o sofá e acha algo perdido há muito tempo: Miguel vai prestar serviços de arquiteto numa cidadezinha e encontra lá a mulher da sua vida. Coisas da ficção.

Enquanto a história se desenvolve, ela conta para ele estórias que nunca acabam, em referência explícita às Mil e Uma Noites. Este toque poderia “fazer” o filme, não fosse por problemas como a falta de sal de Helena Ranaldi. O romance tem um clima de perfeição inatingível, em que o único problema do casal parece ser a TPM. Casais perfeitos no cinema são fáceis de engolir (ainda mais com o sotaque argentino de Grandinetti), mas reducionismo do comportamento feminino não.

Tudo acontece em Candeias, cidadezinha do interior de São Paulo completamente desalojada pelo governo. A hidrelétrica que seria construída ali não foi, então os antigos moradores resolveram voltar e reocupar ‘a cidade que não deveria existir’. É interessantíssima a idéia de um município vazio onde todos podem recomeçar. É um espaço em branco que pode ser desenhado da maneira que se quiser - imaginem a Globo dando um pedaço do Projac para quem quisesse ocupar.

O longa explora um pouco isso, mostrando a volta da eletricidade, do comércio, mas infelizmente apenas como pano de fundo. Uma cidade sem crianças, que não tem história, que as pessoas buscam reencontrar o passado, por si só daria um filme inteiro.

A Globofilmes não está envolvida com “Bodas de Papel”, mas algumas cenas lembram muito novela das oito, principalmente os flashbacks do avô de Nina (Mamberti). São cenas desnecessárias, que pecam pela falta de sutileza. Mas apesar da execução não ser boa, a intenção é, com idéias que poderiam dar certo nas mãos de outras pessoas.

Por fim, algo que poderia passar despercebido, mas vale ser comentado. No começo do longa, diante de uma expectativa enorme pelo que viria acontecer, uma cena desperta curiosidade: Miguel está no táxi e o motorista, enquanto pergunta a profissão do cliente e fala mal do governo, está com os dois pés no chão do carro. Sim senhores: ele não precisa pisar no acelerador, no freio ou na embreagem hora nenhuma para que o carro ande. Coisas da ficção, eu ponderava...

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Grandinetti despeja aquele sotaque no ouvido de Helena.

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