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09.07.08

por Rodrigo Campanella

Hancock

(Estados Unidos, 2008)

Dir.: Peter Berg
Elenco: Mr. Smith, Ms. Theron, Jason Bateman, Jae Head

Princípio Ativo:
Charlize Theron [2]

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Possibilidade. Hollywood ainda vai entrar em colapso de tanta gordura doce acumulada nos roteiros e películas. Se você furar metade da produção enviada por Los Angeles ao mundo, o que vem lá de dentro é somente uma massa pastosa e gorda de açúcar queimado vendida em pacotes plásticos Buy’n’large.

“Hancock” é uma prova em movimento disso.

Não é filme para agradar. Não é filme para ser avaliado em critérios de “bom”, “interessante”, “instigante” ou “thrilling” (como os críticos americanos adoram dizer). É um filme fofudo para ser pesado numa balança de simpatia: e nessa categoria ele é peso-pesado. Dentro de um encontro entre duas entidades sem grandes pretensões (você diante do filme e o contrário), ele se apresenta com a melhor cara de começo.

As piadas-padrão, das quais ainda dá para rir, estão ali. A baleia arremessada no barco. O despertar bebum no banco da praça, com som da garrafa rolando pelo passeio. Os carros da polícia virando bolinhas de fogo depois de atingidos por uma placa de trânsito. É o que se espera da simpatia, tem sincronia de comédia, dá para rir. Será que foi Hancock que devastou o mundo de “Eu Sou a Lenda”?

E aquela mesma sensação de empolgação suave, tenta embalar você pelo filme. Ação/riso. Você olha, se desliga, e tudo bem. Bom para sair com uma sensação divertida no peito. Diversão!

Possibilidade. Como é comum em Hollywood, as coisas funcionam em um mecanismo invertido. A presença de um astro do porte de Will Smith permite que um roteiro com uma boa idéia seja desenvolvido com a sofisticação de um saco de lixo . Will garante tudo, e acabou.

Então os “vilões” repentinos do final parecem ter vindo de uma anotação de canto de página que havia passado em branco. E uma boa revelação rumo ao fim se desenvolve ainda pior, em diálogos pedantes-explicativos. E revelações “de outra dimensão” são aceitas por humanos com um simples chacoalhar de ombros, ao invés de gritos e ranger de dentes.

Fato. O cinemão americano trabalha há décadas com uma palheta cada vez mais restrita de emoções – e nós somos modificados por isso. Aprendemos muito por aí, porque clichês são muletas humanas, úteis para chegar sem esforço a um ponto.

Reconhecimento de padrões é típico do ser humano, e algo bem útil quando a busca por identificação já virou ansiedade. O duro é ficar restrito a isso. Cinco emoções possíveis num filme, e acabou. “Smith-Mr. Simpatia” prevalece. Charlize Theron continua impressionante e sóbria mesmo diante do ridículo. Mas será que simpatia supera tudo?

Mais pílulas:
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Pra facilitar: o filme já vem com uma
coletiva de imprensa com Mr. Smith

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