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Perdido e só

30.11.04

por Rodrigo Ortega

Barão Vermelho - Barão Vermelho

(Warner, 2004)

Top 3: “Cara a cara”, “Cigarro aceso no braço” e “A chave da porta da frente”.

Princípio Ativo:
Naftalina

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Após seis anos sem lançar um álbum de inéditas, o Barão Vermelho retorna com este disco auto-intitulado. Retorna sem dizer a que veio, nem explicar porque o vocalista Roberto Frejat abandonou o conforto da carreira solo para se reunir com os companheiros Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarra), Rodrigo Santos (baixo) e Peninha (percussão).

Barão Vermelho é aberto pela ótima “Cara a cara”, com melodia e dinâmica bacanas e uma letra que remete à situação da banda: “Toda essa demora / não foi capaz de me adormecer”, canta Frejat. Mas esta primeira faixa é de longe a melhor e a única que vale a pena no disco. O refrão traz um alerta do que está por vir: “Você ficou no meio da sala / perdida e só, sem uma direção”.

O álbum é anunciado como uma volta às “raízes do Barão” e ao “bom e velho rock'n'roll” depois de terem se rendido à música eletrônica em Puro Êxtase, último disco de estúdio, de 1998. A banda realmente investe mais nas guitarras, mas isso não significa o fim da corrida atrás do frescor perdido, como nos efeitos de guitarra e piano à Coldplay em “Cigarro aceso no braço” ou na latinidade e solos à Santana e convidados em “A chave da porta da frente”.

Falta de inspiração e repetição dos maneirismos mamãe-sou-roqueiro deixam a impressão de que foi a própria banda quem ficou “perdida e só, sem uma direção”, como Frejat canta em “Cara a cara”. Na primeira música de trabalho, “Cuidado”, ele mostra como uma carreira consolidada pode trazer segurança suficiente para perder totalmente o senso do ridículo.

“Embriague-se”, “O dia em que você me salvou” e baladas dispensáveis como “Mais perto do sol” e “Pra toda vida” não são menos irritantes nem conseguem apresentar nenhum motivo para esse retorno de Frejat e companhia.

As últimas faixas ainda têm um indício de vida criativa, como a bem-humorada “Tão inconveniente”, mas no fim das contas este disco deve ser lembrado apenas como o último trabalho do produtor Tom Capone antes de morrer em um acidente de moto em setembro passado.

Ele deve ter tido um trabalhão para encontrar a medida certa entre uma sonoridade moderna e as antigas características da banda. O problema é que o Barão Vermelho, tentando ser atual ou retomando as origens, é igualmente chato.

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