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Your MUMMY could do better...

04.08.08

por Cedê Silva

A Múmia: Tumba do Imperador Dragão

(The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor, Alemanha/Canadá/EUA, 2008)

Dir.: Rob Cohen
Elenco: Brendan Fraser, Jet Li, John Hannah, Michelle Yeoh, Maria Bello, Luke Ford

Princípio Ativo:
Pressa

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Diz a velha sabedoria egípcia que é muito difícil fazer uma boa trilogia. Lição que, aparentemente, os chineses não conseguiram aprender, como confirma “A Múmia: Tumba do Imperador Dragão”.

O filme tenta dar frescor à excelente série iniciada em 1999, e continuada em 2001, levando as aventuras do casal O’ Connell para a China. É fato: eles tinham que ir para algum lugar – derrubar a mesma múmia pela terceira vez seria simplesmente bobo. Mas o que eles chamam de “filme” é algo muito, muito ruim. Tudo por razões de (má) identificação:

Maria Bello não é Rachel Weisz, o que é deveras frustrante. Encarregada da personagem charmosa e aventureira dos dois primeiros filmes, Bello faz uma Evelyn-mamãezona, que insiste em acompanhar as crianças na aventura para total constrangimento delas. O espectador fica o tempo todo pensando que ela é apenas uma cópia fajuta da Evelyn de sempre. Toda cena que ela aparece tem aquele incômodo de “há alguma coisa errada”.

Rick O’ Connell não é Indiana Jones, o que faz as “alusões” à trilogia Jones parecerem mera falta de imaginação: não temos roteiro, copiemos as histórias do outro saqueador de tumba. O restaurante chinês com dança igual ao “Templo da Perdição” - inclusive a briga. O casal O’Connell trabalhou como espiões durante a 2ª Guerra, assim como Indy revela no quarto filme. E que tal copiar a eterna disputa entre pai e filho, como em “A Última Cruzada”? E daí que o Brendan Fraser não é nenhum Sean Connery?

Caçadores de tesouros não combinam com wuxia, cavalheiros. O gênero “caçadores de tesouros” é tipicamente ocidental: chegar num buraco do Terceiro Mundo e saquear tesouros ancestrais para museus de cidades com alto custo de vida. Não se deve misturar com longas de artes marciais. Mesmo cortando os lutadores que voam, as seqüências em câmera lenta ficam fora do lugar.

Hollywood não é novela da Globo. Qualquer cena mais barata ou corte abrupto vai aparecer e vai ficar estranho. Uma ou duas explosões no filme parecem coisa de primeiro capítulo de novela. Mas o pior são as curtíssimas distâncias, em fotogramas, entre pontos teoricamente intransponíveis. Os personagens viajam tão rápido que eles praticamente aparatam pela China afora. No filme, feito às pressas, todo mundo está sempre apressado.

Michelle Yeoh não deveria ser desperdiçada. Ela já fez “O Tigre e o Dragão”, um James Bond, e Memórias de uma Gueixa. Aqui, ela faz uma simpática bruxa num filme sem pé nem cabeça.

John Hannah não segura um filme. Apesar de suas piadas serem a melhor coisa deste aqui, ele não faz valer o ingresso.

Mais pílulas:
- Viagem ao centro da Terra - o filme
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“Ela me trocou pelo jardineiro e eu passei a me vestir feito James Bond...”

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