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Brinquedinho bom

04.09.08

por Daniel Oliveira

Hellboy II: O exército dourado

(Hellboy II: The golden army, EUA/Alemanha, 2008)

Dir.: Guillermo Del Toro
Elenco: Ron Perlman, Selma Blair, Doug Jones, Seth MacFarlane, Luke Goss, Anne Walton, Jeffrey Tambor, John Hurt

Princípio Ativo:
Del Toro, o novo Harryhausen

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Então.

Chegou o final do verão norte-americano. Blockbusters, explosões, testosterona, adeus vocês. Nessa época, no ano passado, eu fiz uma revisão super negativa e pessimista. E, diga-se a verdade, os filmes eram bem qualquer coisa: essa idéia de que longas de férias são brinquedos adolescentes super-hormonizados e bobos.

- Brinquedo, sim. Bobo, não.

É o que Guillermo Del Toro vem provar com seu “Hellboy: O exército dourado”. Depois de um verão em que brincamos de polícia-e-ladrão feito gente grande e conhecemos o super-herói da era Paris Hilton, o diretor mexicano nos apresenta uma aventura que lembra os melhores jogos de tabuleiro, com um visual acachapante e um roteiro que não agride a inteligência do público.

Na seqüência do longa de 2004, o diabo vermelho do título (Perlman) encara o Príncipe Nuada (Goss), saído de uma antiga lenda sobre seres mágicos para reclamar o exército dourado de seu pai e declarar guerra aos humanos. Hellboy ainda enfrenta as dificuldades de seu relacionamento com a inflamável Liz (Blair), a chegada de um novo chefe alemão – o ectoplasma Johann Krauss (com voz de Mr. Seth MacFarlane) – e a paixão do amigo Abe Sapien (Jones) pela irmã de Nuada, a princesa Nuala (Walton).

Por mais que o visual seja de cair o queixo e os efeitos e animatronics deixariam o mestre Ray Harryhausen orgulhoso, o grande trunfo de “Exército dourado” é o roteiro. Também escrito por Del Toro, ele consegue dar espaço, histórias e diálogos inteligentes a todos os (vários) personagens coadjuvantes, construindo um arco para cada um, sem perder o ritmo nem deixar de lado as cenas de ação.

O humor ainda é algo complicado: Del Toro escreve diálogos ágeis e cheios de tiradas, misturando comédias dos anos 40 com sitcoms televisivos. Sua direção, porém, ainda parece ser bem mais eficiente na ação do que nessas seqüências cômicas – que, por alguma questão de ritmo, parecem deslocadas do todo. O mérito delas, e que justifica sua presença, é a familiaridade que dão a esses personagens. Estranhos e quase irreais com seus poderes, eles ganham personalidades e problemas com os quais o publico se identifica – deixando de ser “monstros” para se tornarem alguém como nós, uma das grandes questões levantadas pelo filme.

“Exército dourado” não tem o impacto de “O labirinto do fauno” – e nem quer ter. Ele é seu primo adolescente, que se propõe simplesmente a divertir, o que não significa que seus monstros, fadas e cenários fantásticos não tenham boas chances no Oscar do ano que vem.

Temporada de blockbusters e já estamos falando de Oscar. Bons tempos, esses.

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Hellboy é um filme família. Uma família estranha e disfuncional, como todas as outras.

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