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HAL9000 em 1984

26.09.08

por Taís Oliveira

Controle absoluto

(Eagle eye, EUA, 2008)

Dir: D.J. Caruso
Elenco: Shia LaBeouf, Michelle Monaghan, Billy Bob Thornton

Princípio Ativo:
teoria da conspirAÇÃO

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Vários anos atrás, Steven Spielberg (produtor executivo de “Controle absoluto”) teve a idéia de fazer um filme que mostrasse que a tecnologia está em toda parte. Produtores, diretores e anos depois, surgiu “Controle absoluto”, que mostra o que aconteceria se a tecnologia que nos cerca fosse usada para o mal.

A idéia de “Controle Absoluto” é boa e vem sendo usada em obras de arte e discutida por pensadores. Estamos cercados pela tecnologia que usamos e veneramos, sem pensar no que ela implica em nossas vidas. Através de celulares, GPS, cartão de crédito, câmeras de vigilância e segurança, cada passo que damos pode ser rastreado, e não sabemos o que fazem com essas informações. Em “Controle absoluto”, até um celular desligado ou a vibração de um copo de café é suficiente para ouvir conversar alheias.

As pessoas ficaram com medo de nadar após assistir “Tubarão”, mas duvido que desliguem os celulares ou Blackberrys depois de “Controle absoluto”. Entre perseguições de carro absurdas, roubos, bombas, ataques terroristas e prevenção de ataques terroristas, não sobra muito tempo para refletir.

Se é difícil ser um filme de ação inteligente, “Controle absoluto” consegue ser uma filme de ação interessante. São pessoas comuns que roubam malas, instalam bombas, fogem do FBI, num jogo em que só se sai perdendo – é fazer ou fazer. A amarração é impressionante: tudo tem um timing perfeito, divertido de observar se você se deixa levar pela ficção. Tudo é planejado, acontece no tempo certo, e quando não acontece, o plano B aparece instantaneamente.

O jogo que se desenrola no filme consegue prender, mas os atores não convencem (com exceção de Billy Bob Thornton). Os personagens são mal desenvolvidos, talvez por falta de tempo, e acabam tendo ações não justificadas, atos de heroísmo que não sabemos se condizem com a personalidade, difícil de definir apenas com os dados superficiais que são passados, de quem faz. Rachel Holloman (Michelle Monaghan) tem um filho, Jerry Shaw (Shia LaBeouf) não quer nada com a vida. Ponto. A relação entre os dois, apesar das tentativas do contrário, acaba no óbvio.

O filme vai bem ao mostrar a falta de limites dos usos da tecnologia que nos cerca, mas erra ao culpar a máquina. Não é o homem que decide como usará os bens que tem? Não é ele que controla e mesmo cria a máquina? Não podemos prever quando (e se) as máquinas terão autonomia e inteligência própria. Isso dá ares de ficção científica e distanciamento da realidade a um filme que se mostra tão próximo e passível de acontecer (guardadas as devidas proporções). Já vivemos no mundo de “Controle absoluto” porque escolhemos assim, ao ligar nossos Bluetooths, ao aceitar câmeras de vigilância... Ao explicitar isso, poderia ser mostrada a urgência da idéia passada pelo filme, de que quanto mais mecanismos usamos para garantir nossa liberdade, mais ela nos é tomada.

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Sai da frente, o Spielberg me quer no próximo filme dele...

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