Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Ou o duelo silencioso

06.10.08

por Taís Oliveira

A luta solitária

(Shizukanaru ketto, Japão, 1949)

Dir.: Akira Kurosawa
Com: Toshiro Mifune, Takashi Shimura, Miki Sanjo, Noriko Sengoku e Kenjiro Uemura

Princípio Ativo:
espiroquetas

receite essa matéria para um amigo

“A Luta Solitária” é um filme de 1949 e a exibição foi feita em duas cores, desfocada, com pausas e problemas. Apesar de ser um filme raro e dirigido por Kurosawa, a experiência não foi lá das melhores.

O título do filme se refere ao sofrimento de Kyoji Fujisaki (Toshiro Mifune, o ‘Johnny Depp’ de Kurosawa), médico que contraiu sífilis na guerra após cirurgia em um paciente infectado. Ao voltar para casa, entra em crise ao ter que dispensar sua prometida, a quem ama, para privá-la das infelicidades de sua doença.

A história é um belo retrato do eterno conflito entre desejo e ética, entre o que se quer e o que é certo. Não há soluções fáceis, nem alternativas. O destino é carregar o sofrimento consigo - sofrimento este sempre causado por outros. Por conseqüência, os que o cercam sofrem também. Quando a esperança é colocada no jogo, ela já morre ali, junto com o filme.

A honra, tema sempre caro ao cinema japonês, é um fator importante. Sua presença é indiscutível e irremediável e o sofrimento só existe junto com ela. O pai de Kyoji diz que se o filho fosse mais feliz, seria mais profano. Parece que bondade e felicidade não andam juntas.

“A Luta Solitária” funciona como um desinfetante hollywoodiano. As interpretações são bem diferentes do que costumamos ver; algumas vezes muito contidas, outras extremamente dramáticas, com expressões faciais que lembram animes. Os (poucos) movimentos de câmera e o ótimo posicionamento dos atores na cena são outros fatos que chamam a atenção.

Projeção ruim, palmas, assobios e um cheiro forte de produto de limpeza que provocou dor de cabeça atrapalharam a fruição de um filme tão denso. Quando se começava a “entrar” no longa, alguma coisa logo interrompia e a atenção era voltada para as coisas ao redor. Mas as sessões da Mostra de Cinema Japonês devem ser mais calmas - e com a imersão, o filme pode ir bem mais além do que acabou de ser dito aqui.

Mais pílulas:
- Mostra do cinema japonês

Toshiro Mifune, o desejo e a ética.

» leia/escreva comentários (0)