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O Grito: Damn it!

17.10.08

por Igor Costoli

Espelhos do Medo

(Mirrors, 2008, EUA/Romênia)

Dir.: Alexandre Aja
Elenco: Kiefer Sutherland, Paula Patton, Cameron Boyce, Erica Gluck, Amy Smart, Mary Beth Peil

Princípio Ativo:
O medo e seu reflexo

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Espelhos do Medo não é de todo ruim, mas é esfericamente irregular: ou seja, pra cada ponto ganho, um perdido. Nos EUA, o trailer principal ganhou o R, da classificação Restricted. Por aqui, mesmo a censura ficando em 14 anos, não passa despercebida a opção por mais medo e menos sustos, com algumas seqüências bem sangrentas e pesadas. Mas, se quiser mesmo assistir, evite o trailer, que as entrega de mão beijada.

Do original, vem o conceito desta adaptação: os espelhos de um shopping destruído por um incêndio são a origem de alucinações misteriosas que levaram um segurança a cometer suicídio. Ben Carson, um detetive afastado da Polícia, ocupa sua vaga. O novo vigilante noturno passa, então, a ser atormentado por imagens horríveis do incêndio, além de presenciar vários fenômenos desajustados entre a realidade e o reflexo no espelho. Como se fossem duas dimensões diferentes, o gancho do terror está aí: a imagem refletida começa a ditar a realidade, em vez do contrário.

Ao trazer Kiefer Sutherland para um papel que ele está careca de fazer – inclusive, que se parece com sua vida, já que em dado momento a personagem recorre ao álcool como solução dos problemas – novamente, dois lados da mesma moeda. Carson sente medo, e acreditamos nos sustos que ele toma. Mas em poucos segundos, ele deixa de ser um homem amedrontado por assombrações monstruosas e volta a ser um grande detetive, lidando com o sobrenatural como se fossem... hum... terroristas?

O roteiro de Grégory Levasseur e do próprio Alexandre Aja (Viagem maldita) parece ter sido montado a partir de capítulos, o que acaba reforçando a sensação de desconexão entre algumas partes. Por várias vezes a história pareceu engrenar, para atravancar novamente em algum ponto, como o fato de Carson receber uma correspondência do vigilante morto. No melhor momento, o quarto final do filme, em que a trama realmente ganha fôlego, a projeção ganha “aqueles” minutos a mais, que serviram apenas para depor contra ela própria.

A fotografia é correta para o que se esperaria do filme, e o uso econômico da luz chega a se destacar em alguns momentos. O trabalho com os reflexos e a composição de várias cenas é um ponto positivo. Aja trabalha bem com a violência, e os grafismos de terror são bons. Mas na direção de atores deixou muito a desejar, sendo toda a trama familiar até metade da projeção, um completo desperdício de tempo.

De qualquer modo, não deixa de ser divertido ver Jack Bauer gritando “Get out, bitch!” para uma assombração...

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Chloe, eu preciso que você verifique umas digitais...

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