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300 coringas

31.10.08

por Daniel Oliveira

Rocknrolla - A grande roubada

(Rocknrolla, Reino Unido, 2008)

Dir.: Guy Ritchie
Elenco: Gerard Butler, Tom Wilkinson, Mark Strong, Thandie Newton, Idris Elba, Toby Kebbell, Thomas Hardy, Jeremy Piven, Ludacris

Princípio Ativo:
as cartas

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Rocknrolo
Na sessão de “Rocknrolla” para a imprensa em BH, dois rolos do filme foram trocados de ordem pelo projetor. Bem no clímax da história. A percepção do conjunto foi (bastante) prejudicada, então considere o texto abaixo mais um comentário sobre alguns pontos específicos do que sobre o filme como um todo.

Rocknrolla
Assistir a um filme de Guy Ritchie é como jogar um jogo de cartas que você não conhece com um baralho que você nunca viu. A cada jogada, uma carta nova pode aparecer na sua mão, mudando as regras da partida, que parecia estar se resolvendo, e cria mais uma rodada que pode gerar outra e outra e...

Os nomes das cartas variam entre categorizações dignas de um palestrante de auto-ajuda (“O Conselheiro”, “A Contadora”) e referências pop/bonitinhas (“Mickey”, “Cookie”...). Na primeira vez, a novidade, a inesperabilidade e o choque são divertidos. Mas na terceira ou quarta, você começa a sacar o jogo e ficar de saco cheio.

“Rocknrolla – A grande roubada” é aquela partida que você e seus amigos tentam tornar legal – alguém diz uma piadinha engraçada e o ambiente melhora – mas que ninguém está suportando. O jogo é o mesmo: grupo de malandros ingleses tenta dar o golpe em um malandro fodão, envolve-se em uma série de roubadas e é obrigado a lidar com um monte de seres estranhos para atingir objetivos ainda mais estranhos. A trilha é rocknroll modernete e os diálogos têm mais testosterona que papo de construção civil (apesar da inclusão de um personagem gay pra não ficarem dizendo que Ritchie é homofóbico).

Era divertido em “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” e “Snatch”. Aqui, o fato de você já esperar as (típicas) reviravoltas da trama faz com que “Rocknrolla” acabe arrastado. A história arruma mil e um motivos e personagens para atingir os 100 minutos, sendo que poderia se resolver com 15. O roqueiro Johnny Squid (Kebbell), que ajuda a dar um título ao filme, é o paradigma da enrolação: todas as suas cenas antes dos 10 minutos finais são totalmente desnecessárias.

Com isso, a montagem de Ritchie, que já foi considerada acelerada, parece mais lenta que uma tartaruga. As boas cenas do personagem de Gerard Butler e seus comparsas são desperdiçadas no meio de um monte gordura de fast food e até o bom Tom Wilkinson sofre com um personagem mal desenvolvido, que repete as mesmas frases o filme inteiro - sintoma claro da falta de inspiração do roteiro.

No fim, “Rocknrolla” é como sua dupla de (quase) protagonistas Gerard Butler & Thandie Newton: eles são legais, você quer gostar deles, sobra charme, estilo - mas falta um pouquinho de talento.

Mais pílulas:
- A última cartada
- Overdose: Seria o Batman um usuário da farda preta?
- Babyshambles (observe como Johnny Squid é, nem um pouco sutilmente, inspirado em Pete Doherty)
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

Gerard Butler apanhou de 300.

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