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Corações que podem mudar o mundo

30.11.04

por Daniel Oliveira

The Edukators

(Die fetten jahre sind vorbei, Alemanha, 2004)

Direção: Hans Weingartner
Elenco: Daniel Brühl, Julie Jentsch, Stipe Erceg, Burghart Kalussner

Princípio Ativo:
Utopias políticas e canções de amor

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Jan e Peter, jovens ativistas alemães, dividem um apartamento. À noite, eles invadem mansões, mudam os móveis de lugar e escrevem frases de efeito. A idéia é mostrar à classe privilegiada que o mundo não está perfeitamente em seu lugar – e que ela também está à mercê dos danos desse desequilíbrio. Quando Jule, namorada de Peter, vai morar com eles, Jan resolve ajudá-la e os dois entram na casa de um ricaço com quem ela teve problemas pessoais. Obrigados a voltar lá, eles são surpreendidos pelo dono e o seqüestram com a ajuda de Peter.

Com essa premissa, “The Edukators” é um retrato realista, e ao mesmo tempo apaixonado, da apatia e da revolução contida na nossa geração. Apesar da indignação política ser envenenada pelos shoppings e TVs, Jan lembra que “todo coração é uma célula revolucionária”. Mas é também uma armadilha passional, em que sentimentos pessoais coexistem com o fervor revolucionário.

Desculpa para o diretor Hans Weingartner desenvolver uma metáfora sobre o rito do amadurecimento e o abandono das ilusões da juventude. Jan se apaixona inevitavelmente por Jule. Os dois são revolucionários românticos, com idealismos e utopias que só sairiam, com tamanha veemência, de alguém com 20 anos. Peter é pragmático: às vezes se importa com a causa; em outras, pode estar pensando só em se dar bem. A diferença é sutilmente marcada pelo roteiro, que aproxima Jan e Jule lentamente – troca de olhares, depois gestos; de repente, ela se senta ao lado do amigo, e não de Peter, no café. É impossível não aceitar que eles se apaixonem, mesmo traindo o melhor amigo.

Hardenberg, o seqüestrado, infiltra-se nesse triângulo para confrontar seus ideais, seus sentimentos e perspectivas. Ele é o vampiro capitalista, manipulador e mesquinho, que entra (convidado), fazendo-os encarar um futuro conformista em que utopias desvanecem.

Realizado em formato digital, a câmera inquieta acompanha as emoções dos protagonistas, confusos e efervescentes. A trilha contrapõe o discurso político com ótimas baladas e a direção imprime suspense e expectativa até o último fotograma, para saber como a estória termina. Apesar do certo destaque a Jan (Daniel Brühl, de Adeus, Lênin), é interessante acompanhar Jule, que resolve deixar o mundo de seu algoz fora de lugar, mas tem sua própria vida questionada. É na interpretação de Julia Jentsch que a trajetória dos três é mais clara. E se as melhores idéias permanecem, guarde essa: celular sempre atrapalha.

Ei, vocês dois conhecem prestobarba?

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