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Uma mulher de (e sob) influência

21.11.08

por Daniel Oliveira

A duquesa

(The duchess, Reino Unido/Itália/França, 2008)

Dir.: Saul Dibb
Elenco: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Hayley Atwell, Dominic Cooper, Charlotte Rampling, Simon McBurney, Aidan McArdle

Princípio Ativo:
figurinos de época

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- Mulher inteligente, carismática e a frente do seu tempo? Check.
- Casamento arranjado ao qual ela deve se submeter? Check,
- Marido insensível e quase, mas não totalmente, vilanesco? Check.
- Obrigação injusta, sufocante e nunca alcançada do filho homem? Check.
- Amor extra-conjugal impossibilitado pela sociedade machista? Check.
- Figurinos, cenários, maquiagens, locações e bailes deslumbrantes? Check.

Sim, “A duquesa” atende todos os requisitos necessários para uma boa produção de época adaptada de um romance histórico, sem se destacar positiva ou negativamente em nenhum deles. Não tem Cate Blanchett como protagonista ou Sofia Coppola na direção. mas também não chega a ser um “A outra”.

Georgiana Spencer é ‘a mulher a frente do seu tempo da vez’. Com menos de 18 anos, ela foi tornada nobre ao ser ‘comprada em casamento’ para procriar um filho homem, pelo duque de Devonshire, William Cavendish (Fiennes). Mais interessado em seus cães, o duque ignora a esposa, chegando a obrigá-la a criar sua filha bastarda e dividir a casa com sua amante, Bess (Atwell), ex-melhor amiga de Georgiana.

Sem ser amada pelo marido, a duquesa decidiu ‘ser amada pelo resto do mundo’, entregando-se a festas, bebidas, noites de jogos e se tornando uma espécie de celebridade da Londres do século XVIII. Lançadora de tendências na moda e dona de um carisma usado pelos amigos políticos, Georgiana vai de garota ingênua a esposa humilhada a mulher da sociedade, numa transformação que o diretor e roteirista Saul Dibb usa para fazer um ótimo retrato social do período.

Em seguida, porém, “A duquesa” se torna apenas outro drama de época, com a protagonista sofrendo pelo amante e aprisionada pelas convenções e pelo machismo de sua sociedade. Carisma e poder são duas coisas bem diferentes. Georgiana tinha o primeiro de sobra. Mas o duque tinha o segundo. E numa sociedade patriarcal, é fácil saber quem ganha essa queda de braço.

O longa tem um universo visual riquíssimo que Dibb, advindo da TV, não explora. Não há nenhum movimento de câmera ou transição mais ousado e, com o abuso de closes, o elenco carrega o filme nas costas. Ralph Fiennes e Hayley Atwell tornam William e Bess complexos e intrigantes, sem cair na vilania fácil. E Knightley já aprendeu a fazer essas personagens de época com os braços amarrados nas costas. Sua atuação como a duquesa não é melhor nem pior que seus trabalhos anteriores – consistentes, mas pouco desafiadores.

Talvez esteja na hora de ela abandonar os corpetes por algo novo. Mesmo que eles sejam tão deslumbrantes e irresistíveis como os de “A duquesa” - esses sim, uma barbada no Oscar de figurino do ano que vem.

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Algo me diz que Ralph Fiennes não está exatamente contente...

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