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Subjuntivo e subjetivo

29.11.08

por Igor Costoli

Rede de Mentiras

(Body of Lies, 2008, EUA)

Dir.: Ridley Scott
Elenco: Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong, Golshifteh Farahani

Princípio Ativo:
Trinca de reis na mão de Scott

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Seria estranho dizer que não é uma crítica, mas "Rede de Mentiras" brilha mesmo é como thriller de suspense e espionagem. Scott sabe filmar ação, fotografar uma guerra e seu nome é muito forte em Hollywood, tanto para financiar suas mega-produções como para atrair grandes atores. E nem isso o salvou na bilheteria.

Já há alguns anos que o americano médio manda seu recado: não está interessado em saber o que seu país faz, não faz e, principalmente, faz-mas-não-deveria-fazer em sua guerra contra o terror, não importam o diretor ou os astros no elenco. Pois está perdendo.

George Ferris (DiCaprio) é um agente de campo da CIA, lotado no Oriente Médio, à caça de um terrorista. Ele se reporta diretamente a Ed Hoffman (Crowe), que, dos EUA, comanda suas ações em solo árabe. Baseado na obra de David Ignatius, correspondente de guerra do Washington Post, William Monahan reinventou o início da história e guardou a trama base do livro como reviravolta para a metade do filme, quando os atores já desenvolveram seus personagens.

DiCaprio, a bem da verdade, penou um pouco: em sua quarta parceria com Scott, Crowe pode trabalhar no piloto automático e tem liberdade para improvisação, algo ao qual Leo teve que se adaptar. Seria mentira dizer que não trabalharam bem, mas sair do cinema considerando Ferris bonzinho ou Hoffman engraçado tira do filme um poder que já havia sido mal-aproveitado.

Em "Rede de Mentiras", informação é como ouro e confiança é como ações: a primeira vale mais que dinheiro, e a segunda é volúvel demais para investir. Por isso, talvez, seja tão importante o jordaniano Hani (Strong), que não se pinta de inocente, mas está longe de ser um vilão. A tecnologia também ocupa um lugar de destaque, mesmo que às vezes seja a alça de mira. Os protagonistas passam meio filme em diálogos via celular (Ferris no meio do deserto, na linha de fogo. Hoffman assistindo via satélite, ou tomando café de pijama), mas nem suas câmeras no céu escapam de falhar frente à astúcia medieval de homens que não usam e-mails ou telefones.

"Rede de Mentiras" entra em cartaz na mesma semana que Queime depois de ler, e é curioso ver dois filmes tão diferentes ligados por uma coincidência incrível: ambos têm a mesma opinião sobre a CIA. Mas seria injusto compará-los. Enquanto um sinaliza a volta dos Coen à comédia de absurdos com muita elegância, Ridley Scott faz muito bem o seu trabalho, mas deixa aquela sensação de “ele já fez melhor que isso”.

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