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Mad (gay) men

11.12.08

por Daniel Oliveira

Shortbus

(EUA, 2006)

Dir.: John Cameron Mitchell
Elenco: Paul Dawson, Sook-Yin Lee, Lindsay Beamish, PJ DeBoy, Raphael Barker, Peter Stickles, Jay Brennan, Adam Hardman

Princípio Ativo:
sexo

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Guilty pleasure: do inglês “seriados/reality shows/filmes barangos que você não consegue não assistir, apesar de saber que podia estar lendo Dostoiévisky naquele momento.”

Meu guilty pleasure mais recente é “True blood”, nova série do Alan Ball (A sete palmos), que mistura vampiros com drogas, white trash e muita putaria. É péssima. E ótima. “Shortbus”, polêmico filme do diretor John Cameron Mitchell (Hedwig – Rock, amor e traição), poderia ser um ótimo guilty pleasure como ela. Se as pessoas do lado de lá da tela não sentissem bem mais prazer do que as do lado de cá.

No longa, Jamie namora James, só que não percebe a depressão do parceiro. Os dois são pacientes de Sofia, terapeuta de casais que nunca teve um orgasmo. Ela, por sua vez, encontra Severin, garota de programa S&M que odeia o que faz, e as duas resolvem se ajudar. Todos eles passam a freqüentar o Shortbus do título, um clube nova-iorquino para prática de sexo livre. E, se esse filme algum dia passasse na Sessão da Tarde, o locutor da Globo diria que “as aventuras dessa turminha vão terminar em muita putaria”.

Mitchell usa a vida sexual desses personagens como sintoma das ‘questões existenciais’ que os assombram – e, para isso, apresenta uma série de cenas de sexo explícito. E foi o que gerou o grande “oooh” puritano e recalcado em torno do filme. Se você não se choca com a cena de um cara fazendo sexo oral nele mesmo, ou com um ménage à trois em que os envolvidos cantam o hino dos EUA, não há nada muito surpreendente em “Shortbus”.

É simplesmente mais um filme sobre a geração 84, que quer ser feliz, mas não sabe como. E um bem fraquinho, por sinal. Os diálogos já não são muito bons, nem o roteiro de Mitchell muito original, e o fraco elenco ainda os piora. As expressões do ator Paul Dawson, por exemplo, tornam o vazio e deprimido James em simplesmente um emo chato e mal-resolvido.

Assim como “9 canções”, “Shortbus” lubrifica seu sexo com uma ótima trilha musical, composta pelo Yo la tengo. Mas se Michael Winterbottom queria potencializar experiências sensoriais, unindo o prazer do sexo ao da música, aqui a parceria é simplesmente o velho recurso do cineasta indie norte-americano, que mascara sua falta de talento na direção costurando cenas com músicas bacanas.

Na corda bamba entre associações arriscadas (homossexualidade/ promiscuidade, terapeuta/neurótica) e mal desenvolvidas (Nova Iorque/caldeirão multicultural da tolerância), “Shortbus” poderia ser até acima da média. Se a vontade de pausar o filme para praticar a idéia que ele propõe não fosse maior que a de assisti-lo.

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Não me xingue. Não fui eu que desfoquei o fundo.

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