Busca

»»

Cadastro



»» enviar

DesEncantado

23.12.08

por Daniel Oliveira

Coração de tinta

(Inkheart, Alemanha/Reino Unido/EUA, 2008)

Dir.: Iain Softley
Elenco: Brendan Fraser, Eliza Bennett, Paul Bettany, Andy Serkis, Helen Mirren, Jim Broadbent, Rafi Gavron, Jennifer Connelly

Princípio Ativo:
fantasia metalingüística mal explorada

receite essa matéria para um amigo

“Coração de tinta” não é aquele peru totalmente queimado, sem salvação, que sua tia insiste em dizer que ‘dá pra comer umas partes’. É mais aquela farofa em que resolveram inovar, trocando uns ingredientes. Não deu certo, mas tem suas qualidades e, com algumas correções, seria algo um tanto apropriado para esses tempos natalinos.

Adaptado do primeiro tomo da série literária da autora Cornelia Funke, o filme conta a história de Mo Folchart, um ‘língua encantada’: ele tem o poder de trazer à vida personagens de livros, ao lê-los em voz alta. Só que toda vez que isso acontece, alguém do ‘mundo real’ vai para o livro, numa espécie de troca. Então, o longa começa com o protagonista e sua filha, Meggie, buscando o livro que pode trazer de volta a esposa de Mo, despachada num desses ‘incidentes’. Na busca, eles se deparam com caras maus, bons, duvidosos, personagens literários clássicos e... enfim, você entendeu.

Primeira mudança necessária: um ator realmente bom e carismático no lugar do apagado Brendan Fraser, cuja preguiça é tanta que o impede até mesmo de fingir o sotaque inglês do protagonista. É ridículo vê-lo falando de um jeito e a promissora Eliza Bennett, que interpreta sua filha, de outro. Para dar veracidade à mistura de realidade e fantasia, a opção que me vem à mente é uma versão masculina da Amy Adams de “Encantada”.

Segunda: um diretor visualmente criativo, e que acrescente algo cinematográfico à fonte literária, no lugar do insosso Iain Softley (“A chave mestra”, “Os cinco rapazes de Liverpool”). Um cineasta como o Marc Forster de “Mais estranho que a ficção” saberia ampliar as possibilidades metalingüísticas da história – e não simplesmente explorar os belos cenários e locações, copiando os já batidos planos de “O senhor dos Anéis” e “Harry Potter”.

Por fim, Emma Thompson deveria ter sido escalada para o papel da tia-vó Elionor – e não Helen Mirren. Os personagens de “Coração de tinta” não são muito bem delineados e alguns diálogos e cenas do roteiro são vergonhosos. E a mais prejudicada com isso é Mirren. Já Thompson, que também é roteirista, poderia ela mesma ter dado um jeito no papel.

Melhor sorte, nesse aspecto, tem Paul Bettany com seu ambíguo e atormentado ‘Dedos Empoeirados’. O personagem tem o melhor arco do filme, brigando com a natureza como foi escrito, e Bettany explora isso muito bem. Sua presença, de quebra, permite a participação especial da bela Jennifer Connelly (sua esposa na vida real) como a mulher de Dedos empoeirados. Os segundos em que ela está em cena são, sem dúvida, os mais inspirados de “Coração de tinta”.

Mais pílulas:
- A bússola de ouro
- As crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa
- Desventuras em série
- Navegue por todas as críticas do Pílula

A pobre Eliza: “essa cara de bosta é porque você não gosta de mim?”

» leia/escreva comentários (0)