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A paixão de Smith

05.01.09

por Daniel Oliveira

Sete vidas

(Seven pounds, EUA, 2008)

Dir.: Gabrielle Muccino
Elenco: Will Smith, Rosario Dawson, Woody Harrelson, Barry Pepper, Michael Ealy, Elpidia Carrillo, Robinne Lee

Princípio Ativo:
doação de órgãos

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Como a Cristina Yang de Grey's Anatomy já disse bem melhor do que eu poderia, doar órgãos é legal, é bonito, importante e “se todas as pessoas doassem, o mundo seria só paz, amor e unicórnios”. É algo meio óbvio e não precisávamos de um filme do Will Smith pra saber isso. Quando você faz um longa sobre essas coisas, o risco de parecer campanha institucional - e ficar mais inflado que o ego redentor do Bono Vox - é muito grande. É uma linha tênue que roteiro e direção devem trilhar e “Sete vidas” não escapa desse perigo.

Smith é Ben Thomas, agente da Receita Fiscal numa espécie de missão que envolve ajudar estranhos e, aparentemente, culminará no seu suicídio – informação dada logo na primeira cena. Dentre esses estranhos, está a bela Emily Posa (Dawson), que sofre de problemas do coração e com quem Ben inicia um romance, enquanto foge do seu preocupado irmão e conta com a ajuda do melhor amigo na execução de seu plano.

Muito mistério foi criado em torno do filme, com a Sony – estúdio responsável pelo seu lançamento – inclusive solicitando aos jornalistas norte-americanos que não revelassem o final em suas resenhas. Com contrato assinado e tudo. Mero marketing de má-fé, já que não acontece nada de muito surpreendente no terço final do longa, que o espectador mais escaldado já não imagine bem no começo.

É fato que o diretor Gabrielle Muccino, com quem Smith trabalhou no bom “À procura da felicidade”, ensaia uma montagem pouco convencional, tentando esconder do público a história e os objetivos de Ben Thomas. E esse é o seu maior erro. Com isso, ele e o roteiro de Grant Nieporte (advindo da televisão) afastam o público de sua trama, num distanciamento fatal para um filme que depende totalmente das motivações de seu protagonista.

“Sete vidas” acaba arrastado e absurdamente enjoativo, com cenas em que a sacarose pode matar o mais saudável dos diabéticos. Will Smith repete as mesmas expressões com que tentou ganhar o Oscar em “Ali”, aliadas ao figurino de “À procura”. O único resultado positivo disso é que, com a história redentora do personagem, ele salta na frente dos concorrentes para intérprete do protagonista na inevitável cinebiografia de Barack Obama.

Salvam-se no longa a ótima trilha sonora, com a inusitada versão de “Así será”, pelo Sly & Family Stone, além de Nick Drake e Muse; a comovente atuação da desperdiçada Rosario Dawson; e os belíssimos mega close-ups da fotografia de Philippe Le Sourd. E quando isso te chama a atenção em um filme, é porque a história estava um porre.

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