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Armageddon

08.01.09

por Renné França

O dia em que a Terra parou

(The day the Earth stood still, EUA, 2008)

Dir.: Scott Derrickson
Elenco: Keanu Reeves, Jennifer Connelly, Jaden Smith, Kathy Bates, Jon Hamm, John Cleese, Kyle Chandler

Princípio Ativo:
clichês (pouco) científicos

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Quase seis décadas separam o clássico “O Dia em que a Terra Parou”, dirigido em 1951 por Robert Wise, de sua nova versão. Nesse meio tempo, a ficção científica se estabeleceu como gênero e criou seus próprios clássicos, como “2001-Uma Odisséia no Espaço”, “Star Wars” e “Blade Runner”. E é sobre os clichês originados por eles que o remake do diretor Scott Derrickson parece buscar suas inspirações narrativas.

O plano inicial abre com uma imagem das estrelas no espaço e a câmera, em seguida, “desce” para onde se passa a ação – idêntico ao começo de qualquer episódio de “Star Wars”. Some-se ainda a formação de um grupo heterogêneo, designado para desvendar algum mistério, como em “Jurassic Park” e “Armageddon”, e tudo dá uma impressão de “já vi isso antes”.

Mas até que a coisa toda começa bem. O diretor Scott Derrickson, do bom “O Exorcismo de Emily Rose”, imprime um clima interessante no prólogo da história, mas a promessa não se cumpre. A partir do momento em que o alienígena Klaatu (Reeves) sai de sua nave (uma esfera que é cópia deslavada do filme... hum... “Esfera”) pousada nos Estados Unidos (onde mais?) e faz o primeiro contato com a cientista Helen Benson (Connelly), o filme parece desandar.

Os atores estão pouco à vontade e até mesmo Kathy Bates atua no controle remoto, como a Secretária de Defesa dos EUA. O rosto totalmente inexpressivo de Reeves ajuda na sua composição de um ET preso em um corpo humano, mas sua relação com o filho de Helen, Jacob (Jaden Smith, de “À procura da felicidade”), que é o cerne do filme original, não funciona desta vez.

Ah, é. Se ainda não contei a sinopse é porque, acredite, não faz muita diferença no meio do explode-corre-esconde-explode-dá uma paradinha no McDonalds-corre-explode que é o filme: o tom pacifista do original, produzido em plena Guerra Fria, é atualizado com questões ecológicas - tão em moda. Klaatu vem à Terra para salvá-la de seus próprios habitantes e só encontra o já conhecido “cada um por si”.

Não espere o aprofundamento filosófico do original, prometido pelas frases de efeito do personagem de Reeves nos trailers. E se prepare para um excesso de efeitos especiais capazes de retirar do guarda costas de Klaatu, o robô Gort, todo o charme cool que possuía no filme original.

Mas as cenas de destruição são bacanas. Se você quer ver os EUA sendo arrasados pela milionésima vez, e o destino da humanidade mais uma vez nas mãos de Keanu Reeves, esse é o filme para a sua semana.

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A grande questão filosófica do filme é: vale a pena pagar 15 reais para ver Jennifer Connelly na tela grande?

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