Busca

»»

Cadastro



»» enviar

De volta para o futuro

05.02.09

por Renné França

Ninho vazio

(El nido vacío, Argentina/Espanha/França/Itália, 2008)

Dir.: Daniel Burman
Elenco: Oscar Martínez, Cecilia Roth, Arturo Goetz, Inés Efron, Carlos Bermejo

Princípio Ativo:
entrelinhas

receite essa matéria para um amigo

Filme de maior sucesso do cinema argentino em 2008, “Ninho Vazio” conta uma história delicada e sofisticada, com muito mais a dizer nas entrelinhas do que no enredo propriamente dito. Leonardo (Oscar Martínez, perfeito) é um dramaturgo com certa fama que vê a distância com sua esposa (Cecília Roth, de “Tudo sobre minha mãe”) aumentar quando os filhos já adultos deixam sua casa.

Esse fiapo de premissa é mera desculpa para o diretor Daniel Burman (As leis de família) discutir melancolia, arte, realidade e imaginação. Leonardo não entende a arte como um talento, mas uma ocupação: para ele, trata-se de um ofício, um trabalho como outro qualquer; e a compreensão dessa sua concepção é fundamental para o entendimento de todas as sutilezas que compõem a narrativa de “Ninho vazio”.

É pela arte que o personagem se integra ao mundo, é somente assim que ele se relaciona com as pessoas e “vive” a vida. É pelo seu ofício que ele consegue compreender a sua realidade, mesmo que para isso seja necessário fazer uso da ficção. A angústia que o acompanha por todo o filme é resultado de uma constante mistura entre o pensamento no futuro e a lembrança do passado - e é usando a arte como meio de alcançar um objetivo que ele dá conta de superar seus problemas.

Burman conduz tudo de maneira muito sutil, sem explicar demais, deixando varias camadas para serem retiradas pelo seu espectador que, por alguns momentos, pode encontrar-se tão angustiado e confuso quanto o protagonista do filme. A história é conduzida de maneira leve (até mesmo engraçada) e clássica, permitindo-se alguns arroubos de criatividade, como um inventivo e inesperado número de dança e a maneira como evita os clichês que se espera da história de um casamento em crise.

Prejudicado por um meio de certa forma redundante após um início interessante, “Ninho Vazio” se recupera plenamente com seu extraordinário final, que nos faz ir para casa pensando em como a repetição dos erros do passado podem ser evitados quando trabalhamos para isso. Mesmo que seu trabalho seja “apenas” criar.

Mais pílulas:
- Herencia
- XXY
- O passado
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

Casamento em crise: à distância de um beijo.

» leia/escreva comentários (4)