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Negócio Arriscado

12.02.09

por Renné França

Operação Valquíria

(Valkyrie, EUA/Alemanha, 2008)

Dir.: Bryan Singer
Elenco: Tom Cruise, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Kenneth Branagh, Carice Van Houten, Thomas Kretschmann, Terence Stamp, Eddie Izzard

Princípio Ativo:
suspense sem suspense

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Alfred Hitchcock dizia que fazer suspense é muito simples: basta que o espectador saiba mais do que o personagem. “Operação Valquíria” segue a cartilha do mestre à risca. Até demais. O principal problema do novo filme de Tom Cruise é que o espectador - pelo menos aquele que não faltou às aulas de História – sabe como a coisa toda acaba.

Dirigido com a segurança habitual por Bryan Singer, a história real de um grupo de oficiais e políticos alemães que tentam dar um Golpe de Estado e assassinar Hitler durante a 2ª Guerra é um thriller envolvente, capaz de criar bons momentos exatamente por dar ao seu espectador todas as dicas do que está para acontecer. Sabemos que existe um explosivo na pasta, que ele necessita de um determinado tempo para explodir e que, além disso, precisa estar no local certo para que a explosão atinja todos os seus objetivos. O excesso de detalhes que podem dar errado forma o suspense e prende a atenção.

Singer é um artesão em criar universos verossímeis e capta o clima de tensão palpável daquele momento histórico. Auxiliado por bons coadjuvantes, como Bill Nighy e Tom Wilkinson, Cruise apresenta uma atuação mais contida que o habitual e que funciona para seu obcecado coronel Stauffenberg, líder da operação-título. Direção de arte impecável, fotografia que lembra as produções dos anos 40 e trilha eficiente, “Operação Valquíria” parece ter tudo no lugar certo. Um relógio tão preciso quanto o plano do golpe alemão.

Mas falta algo.

Alguns personagens surgem e desaparecem sem muita explicação e o excesso de nomes causa uma certa confusão no entendimento da trama (o que não acontecia em “Os Suspeitos”, do mesmo diretor). E os roteiristas Christopher McQuarrie e Nathan Alexander parecem confiar demais no pré-julgamento de que Hitler é o vilão da história e merece sim ser eliminado, sem jamais buscar uma justificativa mais aprofundada do porque seus personagens se arriscaram tanto em uma operação de alta traição.

Talvez o principal problema seja mesmo o fato de ser um filme de suspense que não traz suspense em seu final. O mesmo público que conhece Hitler como um tirano, sabe como o führer terminou seu governo... E isso tira a força da tensão cuidadosamente arquitetada por Singer. “Operação Valquíria” tinha tudo para ser um filmaço. Ironicamente, é seu poder como história real que o enfraquece como obra de ficção. Em determinado momento, quase cremos que a História teve um final diferente. Mas a decoreba de anos atrás para as provas da escola não nos deixa esquecer. E pensar que eu já nem lembro de tanta coisa daquela época... Scheiße!

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O Pílula é pobre e não tem dinheiro para pagar. Mas que uma foto da Suri seria bem mais bonita do que Tom Cruise de tapa-olho, isso seria.

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